Venezuela anuncia racionamento para conter crise energética

Protesto contra blecaute em Maracaibo no último domingo (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Medidas são anunciadas após apagão no final de semana

Em meio a uma nova crise energética que afeta o país petroleiro, o governo da Venezuela lançou, nesta segunda-feira, um pacote de medidas de racionamento elétrico que prevê a aplicação de multas para quem não economizar energia e descontos na conta dos consumidores residenciais que reduzirem o consumo.

As medidas de racionamento estabelecem que empresas, comércios e o setor público deverão recortar o gasto mensal em 10% em relação ao consumo de 2009 e deverão instalar capacidade de geração elétrica próprias. As multas para quem não respeitar o racionamento podem alcançar até 200% do total do gasto em eletricidade.

Já os consumidores residenciais que economizarem entre 10% e 19% receberão um desconto de 25%, e, para aqueles que economizarem mais de 20%, o desconto será de 50% sobre o total da conta.

"Não são (medidas) para limitar o direito à energia elétrica, e sim para evitar seu uso inadequado e excessivo, para garantir o abastecimento seguro e estável", afirmou o vice-presidente venezuelano Elias Jaua ao anunciar o pacote para conter a crise.

O anúncio das medidas ocorre depois que uma explosão em uma subestação de energia no Estado petroleiro de Zulia provocou um apagão em quatro Estados venezuelanos no fim de semana.

Desperdício

O ministro de Energia Elétrica, Alí Rodríguez, atribui a escassez de eletricidade ao “desperdício típico” que marca a sociedade venezuelana e ao incremento da demanda. De acordo com o governo, a demanda máxima em 1999 era de 10,8 mil megawats (mw). Para este ano, a expectativa é de que o consumo alcance 18,5 mil mw.

O ministro de eletricidade também admitiu, no entanto, que não há uma “cultura de manutenção” da infraestrutura instalada no país, o que teria ocasionado o desperdício de mais de 7 mil mw da rede elétrica.

O pacote de racionamento obriga ainda o uso de lâmpadas fluorescentes em outdoorse fachadas luminosas, mas determina que elas fiquem acesas apenas entre 19h e meia-noite.

A oposição atribui a crise a falhas de gestão e planificação. Para Roberto Henriquez, presidente do partido conservador COPEI, “o problema de geração já deveria estar resolvido (…), não é verdade que os cidadãos tenham a culpa”, afirmou.

Para o próximo ano, o governo promete adicionar ao sistema elétrico nacional pelo menos 9 mil MW, entre instalações novas e manutenção de geradores que estão paralisados.

De acordo com Agência Internacional de Energía (AIE), Venezuela é o segundo maior consumidor per capita da América Latina, com mais de 3 kw por hora, ficando atrás apenas dos chilenos, que consumem mais de 3,327 kw por hora.

No ano passado, uma crise semelhante, ocasionada pela forte estiagem que castigou o país, levou o governo a aplicar medidas de racionamento elétrico em todo o país, deixando alguns Estados sem luz durante seis horas diárias.

O apagão teria afetado a popularidade do presidente venezuelano Hugo Chávez e, de acordo com analistas, foi um dos fatores que impediu que o chavismo conquistasse a maioria absoluta do Parlamento nas eleições legislativas seguintes.

Desta vez, a crise vem à tona enquanto Chávez continua internado em Cuba, depois de ter sido submetido a uma cirurgia de emergência para retirada de um abscesso pélvico. Ainda não há data prevista para o retorno do presidente a Caracas.

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