Cinzas de vulcão obrigam secretário da ONU a viajar de ônibus na Argentina

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Image caption Ban comeu um alfajor em uma lanchonete de um posto de gasolina

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, teve de fazer uma viagem de nove horas em ônibus comercial entre as cidades argentinas de Córdoba e Buenos Aires, depois que seu voo foi desviado por causa das cinzas do vulcão chileno Puyehue.

O avião de Ban decolou de Bogotá, na Colômbia, com destino à capital argentina, mas teve de ser desviado para Córdoba depois que a nuvem vulcânica fechou o aeroporto de Buenos Aires.

De Córdoba, a 700 quilômetros da capital, ele e sua comitiva embarcaram em um ônibus comercial para uma viagem de nove horas, segundo confirmou um assessor da ONU à BBC Brasil.

O secretário foi fotografado comendo um alfajor, doce típico argentino, e tomando café numa lanchonete de um posto de gasolina na estrada que liga as duas cidades.

Mais tarde, ao ser recepcionado pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ele ouviu pedidos de desculpas pelo transtorno aéreo provocado pelos resíduos vulcânicos.

“São questões do clima, impossíveis de controlar. E contra essa questão não podemos (agir) nem mesmo com um decreto. Mas o vulcão é chileno, e o alfajor, argentino”, disse a presidente, sorridente.

Ban afirmou que foi uma experiência “singular”, da qual ele não se arrependeu.

Transtornos

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Image caption Ban chegou a Buenos Aires após 9 horas no ônibus

Além de Ban, outras personalidades tiveram seus planos alterados por causa das cinzas vulcânicas. Na semana passada, o presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, suspendeu viagem que faria a Buenos Aires e teve de adiar uma reunião com Cristina.

Também na semana passada, o ministro argentino da Economia, Amado Boudou, adiou uma reunião de ministros da área econômica da Unasul já que, na manhã da sexta-feira, dia agendado para o encontro, os aeroportos estavam fechados também em função das cinzas vulcânicas.

O mesmo ocorreu com o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, que também participaria da reunião.

Malvinas

Durante seu discurso, Cristina pediu ao secretário da ONU que esperava que a Grã-Bretanha aceitasse negociar a questão das Ilhas Malvinas (Falklands, para os ingleses).

“Reiteramos nosso desejo de que a Inglaterra aceite a resolução 2.065 da ONU, no sentido de negociar com a Argentina”, disse Cristina Kirchner.

A presidente disse ainda que os países que se apresentam como “civilizados e democráticos são os que devem dar o exemplo de que as resoluções da ONU sejam aceitas por todos os países".

Cristina afirmou ainda que apoia a reeleição de Ban Ki-moon para as Nações Unidas. Ele está em campanha para obter um novo período no cargo.

O secretário permanecerá na Argentina até esta terça-feira, quando dará continuidade ao seu giro pelos países da América do Sul.

Nas últimas horas, dezenas de voos voltaram a ser suspensos nos dois principais aeroportos de Buenos Aires, Ezeiza e Jorge Newbery (Aeroparque).

Mais cedo, a partir dos dados do Serviço Nacional de Meterologia, o comitê interpretou que as operações aéreas não deveriam ser retomadas até esta terça-feira.

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