Primeiro-ministro grego promete continuar luta por plano de austeridade

George Papandreou (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Papandreou pretende reformular o governo da Grécia

Ameaçado por um voto de desconfiança do Parlamento, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, prometeu continuar lutando pelo plano de austeridade de seu governo.

O premiê vem buscando a aprovação das novas medidas de austeridade impostas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), mas o pacote enfrenta a resistência de manifestantes, que organizaram grandes e violentos protestos no país, e de alas políticas.

O partido governista do país promoveu reuniões de emergência nesta quinta para discutir a crise que a Grécia atravessa e que abalou os mercados globais. O euro fechou o dia no seu patamar mais baixo em três semanas, cotado a US$ 1,409.

Papandreou voltou a afirmar que vai reformular seu gabinete antes de submetê-lo a um voto de desconfiança do Parlamento. O pronunciamento do premiê grego foi feito depois que alguns membros de seu partido pareciam ter posicionado contra ele.

"Eu busco e vou continuar buscando um consenso mais amplo. Nossa resposta aos desafios que enfrentamos é a estabilidade e permanecer no caminho das reformas", afirmou.

Papandreou enfrenta a ameaça de uma revolta em seu partido, o Pasok, socialista, devido ao polêmico plano de austeridade considerado necessário para que o país cumpra as obrigações determinadas pelo pacote de resgate da União Europeia e do FMI.

Dois parlamentares renunciaram nesta quinta-feira, em um protesto contra o plano do governo.

Confiança

Segundo informações, o voto de desconfiança do Parlamento grego deve ocorrer no domingo.

As renúncias recentes não afetam a maioria do partido do governo no Parlamento. Os assentos dos parlamentares que renunciaram vão automaticamente para outros socialistas.

Mas, segundo o correspondente da BBC em Atenas Malcolm Brabant, essas renúncias são uma indicação de que Papandreou tem dificuldades para conseguir a confiança dos políticos na sua liderança.

O presidente grego, Karolos Papoulias, pediu que os políticos do país não piorem ainda mais a situação da Grécia transformando uma crise econômica em uma crise política.

As medidas do plano de austeridade precisam ser aprovadas pelo Parlamento grego até o fim do mês para a Grécia continuar recebendo parcelas da ajuda financeira que tem sido usada no pagamento de sua dívida.

Papandreou, que assumiu o cargo em 2009, ainda não falou sobre qual seria o alcance de sua reforma de governo, mas correspondentes afirmam que ela poderá incluir a substituição do ministro da Economia, George Papaconstantinou.

Analistas econômicos afirmam que ele poderá ser substituído por Lucas Papademos, um ex-vice-presidente do Banco Central Europeu, que seria aprovado pela União Europeia e o FMI, mas ainda não se sabe se os parlamentares gregos ficariam satisfeitos, afirma Brabant.

Pacote

O plano de austeridade tem como finalidade gerar uma economia de 6,5 bilhões de euros (R$ 14,6 bilhões) neste ano por meio do aumento de impostos e do corte de gastos públicos.

Em troca, a UE e o FMI concordariam em liberar uma parcela de 12 bilhões de euros (R$ 27 bilhões) para que o governo grego possa pagar dívidas que vencem no curto prazo.

Mas o plano é altamente impopular entre os gregos, que desde o ano passado já vêm sendo afetados por aumentos nos impostos e nas jornadas de trabalho e por reduções de salários e benefícios.

Muitos congressistas dizem que vão se opor ao pacote. Representantes da oposição já haviam ameaçado exigir a saída do socialista Papandreou, que conta atualmente com uma maioria de apenas cinco cadeiras entre as 300 do Parlamento.

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