Pelo menos 16 morrem em nova onda de protestos na Síria, dizem ativistas

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Image caption Correspondente da BBC diz que manifestações ocorreram em praticamente todo o país

Ativistas de oposição da Síria disseram que pelo menos 16 manifestantes pró-democracia morreram nesta sexta-feira em protestos que se seguiram às tradicionais orações de sexta-feira no país e foram reprimidos pelas forças de segurança.

De acordo com a imprensa estatal, vários policiais também foram baleados e pelo menos um morreu.

As manifestações ocorreram em meio a uma ofensiva militar realizada pelo Exército no norte do país. Entidades de defesa dos direitos humanos e a ONU afirmam que mais de mil pessoas já morreram na Síria na repressão dos protestos, que começaram em março.

O correspondente da BBC no Líbano Jim Muir afirma que confrontos e mortes foram registrados em quase todas as partes do país. As informações não pode ser confirmadas de forma independente, já que jornalistas estrangeiros não têm entrada permitida na Síria.

Segundo Muir, a cidade de Homs (oeste do país), a terceira maior da Síria, foi palco da repressão mais violenta desta sexta-feira, onde foi registrado, segundo ativistas, o maior número de manifestantes mortos.

A mídia estatal afirma que pelo menos um integrante das forças de segurança morreu e outros 20 foram feridos a tiros na cidade devido a ações do que foi descrito como "grupos terroristas armados".

Aleppo

Ativistas reportaram, segundo o correspondente da BBC, a primeira morte de um manifestante na segunda maior cidade da Síria, Aleppo, no norte, que ainda não havia sido palco de protestos contra o governo. Também há relatos de distúrbios nos subúrbios da capital, Damasco.

A TV estatal afirma que, na cidade de Deir Az-Zor, no leste da Síria, manifestantes armados atacaram o posto de comando militar e centro de recrutamento, ferindo policiais.

Segundo a mídia estatal síria, os manifestantes formaram barricadas nas estradas, usando pneus em chamas e toneis de lixo.

Os manifestantes exigem reformas democráticas no país e a saída do presidente Assad, que está no poder há quase 11 anos, depois de ter sucedido a seu pai, Hafez Al-Assad, que comandou a Síria por 30 anos.

Devido à repressão violenta aos manifestantes, os integrantes do regime sírio já foram alvo de sanções internacionais e críticas de líderes ocidentais.

O correspondente da BBC Matthew Price, que está na fronteira da Síria com a Turquia, afirma que a única rota de entrada para o território sírio é o caminho usado por contrabandistas, por meio de trilhas estreitas, em meio às colinas e às oliveiras, evitando as tropas turcas.

Price diz que o Exército sírio continua realizando operações nesta região do país, tendo invadido mais duas cidades nesta sexta-feira. O presidente afirma que as suas tropas estão "combatendo extremistas islâmicos e protegendo os civis".

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