Tropas e tanques atacam localidade no nordeste da Síria, dizem testemunhas

Refugiado carrega bebê em acampamento na cidade turca de Boynuyogun. Foto: AP Direito de imagem AP
Image caption Milhares de sírios deixaram o país e buscaram refúgio em acampamentos na Turquia

Soldados e tanques do Exército sírio atacaram neste sábado o vilarejo de Bdama, no noroeste do país, a poucos quilômetros da fronteira com a Turquia, segundo apontam relatos de ativistas e de testemunhas.

O vilarejo fica próximo à cidade de Jisr Al-Shughour, que foi tomada pelas tropas do governo no último domingo, depois que autoridades disseram que mais de cem integrantes das forças de segurança foram mortos por homens armados no local.

O Exército sírio vem invadindo cidades e vilas em diversas regiões do país, enquanto milhares de pessoas realizam protestos pedindo reformas democráticas e a saída do presidente Bashar Al-Assad, que está no poder há quase 11 anos.

Testemunhas afirmam que, em suas operações, as tropas do governo atacam civis e residências, deixando um rastro de destruição por onde passam.

Segundo o correspondente da BBC em Beirute (Líbano) Jim Muir, ativistas e testemunhas afirmam que uma coluna de tanques, veículos blindados e ônibus cheios de soldados invadiram Bdama no início da manhã deste sábado.

Muir diz que, de acordo com um relato, foram registrados muitos disparos de metralhadoras e de artilharia antiaérea no local. Uma milícia favorável ao governo, chamada Shabbiha, ateou fogo em diversas casas, segundo afirmam ativistas.

Acredita-se que a maior parte dos habitantes do vilarejo já havia abandonado o local antes da chegada das tropas, diz Muir. As informações não podem ser confirmadas de forma independente, já que a mídia estrangeira não pode entrar na Síria.

Refugiados

Mais de 10 mil pessoas já cruzaram a fronteira com a Turquia nas últimas semanas, enquanto milhares de outros refugiados estão em acampamentos em território sírio.

O governo de Damasco afirma que as forças de segurança continuam perseguindo o que chama de "remanescentes de organizações terroristas armadas" no campo e nos vilarejos do interior.

O regime alega que Jisr Al-Shughour agora é um local seguro, e pede que os refugiados que deixaram o país voltem para a cidade. No entanto, o correspondente da BBC afirma que poucas pessoas atenderam ao chamado, enquanto o fluxo maior continua sendo no sentido contrário.

O correspondente da BBC Matthew Price, que está na fronteira da Síria com a Turquia, afirma que a única rota de entrada para o território sírio é o caminho usado por contrabandistas, por meio de trilhas estreitas, em meio às colinas e às oliveiras, evitando as tropas turcas.

Entidades de defesa dos direitos humanos e a ONU afirmam que mais de mil pessoas já morreram na Síria na repressão dos protestos, que começaram em março.

Devido à reação violenta contra os manifestantes, os integrantes do regime sírio já foram alvo de sanções internacionais e críticas de líderes ocidentais.

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