Ministros europeus acordam novo pacote de resgate à Grécia

Ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, conversa com diretor do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, durante reunião em Bruxelas, no sábado. Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Representantes da UE temem risco de calote das dívidas gregas

Ministros das Finanças dos países da zona do euro acordaram na noite deste domingo um segundo pacote de resgate financeiro para a Grécia, para evitar o risco de moratória que ronda as dívidas de Atenas.

Após uma longa reunião em Luxemburgo, os ministros disseram que vão buscar um acordo informal e voluntário com os credores da Grécia – como bancos, fundos de pensão e seguradoras – para adiar o pagamento das dívidas, de forma a evitar a declaração de calote.

O acordo ocorre em meio a manifestações na Grécia contra as medidas de austeridade impostas pelo governo grego.

A Grécia vem sendo pressionada em relação às medidas de controle de gastos exigidas pelo FMI e pela UE como contrapartida aos pacotes. Enquanto os cortes são extremamente impopulares no país, gerando protestos da população, autoridades europeias consideram que o governo não está se esforçando para implementar o plano.

Desconfiança

Na próxima terça-feira, o Parlamento irá votar uma moção de desconfiança contra o novo gabinete, formado pelo primeiro-ministro George Papandreou.

O correspondente da BBC em Atenas Chris Morris afirma que os gregos estão fartos de ouvir sobre "austeridade", "recessão" e "dívida". Segundo Morris, ninguém acredita que o pacote tenha aliviado os problemas do país.

Muitos analistas se mostram céticos quanto à capacidade da Grécia para sair da crise, mesmo com mais um pacote de ajuda. Embora o governo diga que possa fazer isto, ele ainda deve convencer os gregos de que o esforço vale a pena, diz o correspondente da BBC.

Contaminação

Nesse sábado, o primeiro-ministro de Luxemburgo e diretor do grupo de ministros das Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, disse que a crise grega pode contaminar pelo menos outros cinco países europeus - incluindo Itália e Bélgica.

Em entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, Juncker afirmou ainda que a Alemanha estava "brincando com fogo" ao propor que investidores privados participem da ajuda financeira à Grécia, além dos governos dos países da zona do euro.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu nesse sábado que os credores privados participem da ajuda à Grécia. Para Merkel, um novo pacote de resgate deve incluir um aporte “substancial” de bancos privados.

“Temos novamente de mostrar solidariedade (a Atenas) e também de incluir credores privados”, disse a chanceler, em Berlim.

Na última sexta-feira, Merkel e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fizeram uma demonstração conjunta de apoio ao resgate grego, o que acalmou os mercados financeiros.

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