Narcotráfico se sofistica na África Ocidental e preocupa Europa

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Image caption Apreensões de drogas estão caindo no oeste africano, mas comércio cresce

Autoridades das Nações Unidas apontam que o tráfico de drogas como cocaína está se sofisticando no oeste da África e chegando com mais facilidade aos mercados consumidores da Europa.

Em entrevista coletiva no Senegal, o chefe regional do escritório antidrogas da ONU, Alexandre Schimidt, disse que as apreensões de cocaína vinda da África Ocidental estão em queda – caíram de 47 toneladas em 2008 para 35 toneladas apreendidas em 2009 -, mas há motivos para crer que o comércio está, na realidade, aumentando.

É um sinal de que os criminosos estão mudando e sofisticando suas formas de trabalho, criando novas rotas para o comércio ilegal e operando sob cartéis cada vez mais organizados e capazes de driblar o controle de agentes policiais internacionais, relata o correspondente da BBC em Dacar, Thomas Fessy.

A origem das drogas é a América Latina, e os traficantes da região usam a África Ocidental como ponto intermediário para a Europa, em um negócio que, acredita-se, envolve cerca de US$ 1 bilhão.

Ainda que os negócios continuem sendo comandados por latino-americanos, autoridades apontam, porém, que cada vez mais africanos estão tomando parte na formação de cartéis.

Para Schmidt, não há indícios de que a ala norte-africana da Al-Qaeda esteja envolvida na organização dos cartéis, mas o representante da ONU diz acreditar que a rede extremista provê serviços intermediários para os narcotraficantes e facilita seu trânsito pela região.

Estados frágeis

O fluxo crescente de cocaína pelos frágeis Estados do oeste da África está se tornando uma fonte crescente de preocupação internacional, já que especialistas advertem que o narcotráfico pode corromper governos na região, espalhar instabilidade e prejudicar economias locais.

Segundo a agência Reuters, o valor das drogas que transita pela região já é equivalente a grande parte dos PIBs locais.

Schmidt instou a África Ocidental a aumentar seus esforços para combater a lavagem de dinheiro relacionada ao narcotráfico. “Se queremos causar impacto, temos que atingir onde dói: no dinheiro (dos narcotraficantes).”

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