Premiê grego sobrevive a voto de desconfiança no Parlamento

Papandreou em discurso ao Parlamento nesta terça (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Papandreou disse que a 'última coisa' que o país quer no momento é uma nova eleição

O premiê da Grécia, George Papandreou, sobreviveu nesta terça-feira a um voto de desconfiança do Parlamento do país, dando ao seu governo fôlego para tentar obter apoio à implementação de impopulares medidas de austeridade que evitem a moratória da dívida do país.

Na votação, ocorrida na noite desta terça, Papandreou e seu recém-renovado gabinete foram aprovados por 155 parlamentares, com 143 votos contra e duas abstenções.

O próximo passo de Papandreou será convencer os parlamentares a aprovar, em votação até a próxima terça, cortes orçamentários de 28 bilhões de euros (R$ 64 bilhões) em cinco anos, além de reformas fiscais e privatizações.

Os ministros das Finanças da zona do euro exigem tais medidas em troca de um empréstimo de 12 bilhões de euros (R$ 27 bilhões) – parcela de um pacote de resgate promovido pelo FMI e pela União Europeia -, o qual a Grécia precisa para pagar dívidas que vencem no curto prazo.

‘Hora da verdade’

Pouco antes de o Parlamento começar a votar a moção de desconfiança, o premiê defendeu sua permanência no governo, dizendo aos parlamentares que a última coisa que a Grécia quer no momento é uma nova eleição.

“Todos temos que concordar que vamos pôr fim nos deficits (do país)”, ele declarou, em discurso na Casa. “Queremos fazer um Estado (com finanças) mais saudáveis, senão o país não será capaz de suportar o fardo.”

As declarações do premiê foram criticadas por alguns membros da oposição. “Este programa (de austeridade) não é para salvar a economia, e sim para (promover) uma pilhagem antes da falência”, disse o parlamentar Aléxis Tsipras, da Coalizão de Esquerda.

O presidente da Comissão Europeia (braço executivo da UE), José Manuel Barroso, advertiu que a Grécia está vivenciando a “hora da verdade” e precisa mostrar seu comprometimento com as reformas consideradas necessárias para evitar um calote.

O diretor-gerente interino do FMI, John Lipsky, ecoou os comentários, opinando que o sistema fiscal grego está destruído, mas pode ser consertado se houver vontade política para tal.

Ao mesmo tempo, também nesta terça, milhares de pessoas se reuniram diante do Parlamento, em Atenas, para protestar contra as medidas de austeridade e contra os políticos do país.

Nos últimos dias, Papandreou reformou seu gabinete, após semanas de manifestações populares contra a condução da economia.

Resgate

No último domingo, os ministros das Finanças da Zona do Euro também aprovaram, sob certas condições, um novo pacote de ajuda à Grécia, aproximadamente do mesmo tamanho do primeiro, de 110 bilhões de euros, aprovado em maio do ano passado.

O novo pacote, que seria detalhado em julho, incluirá empréstimos de outros países da zona do euro.

Também há expectativa de que investidores privados contribuam, comprando novos títulos da dívida grega.

Autoridades disseram que o novo plano financiaria a Grécia até o fim de 2014, evitando a moratória, que representaria grandes perdas para bancos europeus que têm títulos da dívida grega, entre eles o Banco Central Europeu.

Ainda nesta terça-feira, inspetores da UE e do FMI visitam Atenas no que foi descrito pela Comissão Europeia como uma “missão técnica”.

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