Bahrein condena oito ativistas à prisão perpétua

Mulheres protestam contra o governo do Bahrein em Manama (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Protestos no Bahrein começaram em fevereiro e março

Uma corte militar no Bahrein sentenciou oito ativistas de oposição à prisão perpétua depois de considerá-los culpados de planejar a derrubada do governo durante a onda de protestos que atingiu o país no início do ano.

Os oito estão entre os 21 oposicionistas julgados por uma corte especial. Os réus restantes receberam sentenças que variam de dois a 15 anos de prisão.

A maioria destes ativistas é xiita, facção muçulmana majoritária no Bahrein, país governado por sunitas. Antes do veredito, manifestantes xiitas bloquearam ruas e fizeram protestos no país.

Entre fevereiro e março deste ano, o país foi varrido por ondas de protesto de grupos xiitas, pedindo reformas democráticas.

O governo chegou a decretar lei de emergência, suspensa apenas no dia 1º de junho.

Correspondentes acreditam que a sentença dada aos oposicionistas pode acabar provocando nova onda de protestos.

Blogueiro do Bahrein

As autoridades barenitas alegam que os acusados planejavam derrubar o governo do país com ajuda do que chamaram de "um grupo terrorista" e "um país estrangeiro", em referência ao grupo militante libanês Hezbollah e ao Irã.

O governo responsabilizou os opositores e seus supostos aliados de estimular os protestos, no qual quase 30 pessoas - a maioria manifestantes não identificados - foram mortas.

Entre o condenados à prisão perpétua estão Abdullah al-Khawaja, um dos mais importantes defensores dos direitos humanos do Bahrein, e Abd al-Jalil Singace, líder do grupo de maioria xiita Movimento Haq pela Liberdade e Democracia.

Ali Abduleman, um crítico ferrenho do governo do país conhecido como "blogueiro barenita" foi sentenciado à revelia a 15 anos de prisão. Ele está foragido desde março.

Entre os 21 oposicionistas julgados, apenas 14 compareceram à corte, o resto foi julgado à revelia, segundo a agência de notícias estatal BNA. Os ativistas tem 15 dias para entrar com recurso.

Grupos de defesa dos direitos humanos e jornalistas documentaram vários casos de tortura e prisões arbitrárias em reação aos protestos no país.

Aliado

O Bahrein é um importante aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio e abriga uma base da Quinta Frota Naval dos Estados Unidos.

Os protestos no país, onde a maioria muçulmana xiita vem sendo governada por uma família real da minoria sunita desde o século 18, vieram junto com a onda de manifestações contra governos que tomou países muçulmanos no norte da África e no Oriente Médio.

Os manifestantes pediam a libertação dos prisioneiros políticos, a criação de empregos, a construção de casas populares, o estabelecimento de um Parlamento mais representativo, uma nova Constituição e um novo gabinete que não inclua o atual primeiro-ministro, xeque Khalifa bin Salman Al Khalifa, que está no cargo há 40 anos.

Desde a independência do país da Grã-Bretanha, em 1971, as tensões entre a elite sunita e a maioria xiita vêm frequentemente provocando conflitos.

Grupos xiitas se dizem marginalizados e sujeitos a leis injustas.

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