Rebeldes líbios dizem estar coordenando rede clandestina em Trípoli

Rebeldes líbios disparam contra as forças de Khadafi em Misrata (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Rebeldes em Benghazi afirmam estar em contato com rede clandestina em Trípoli

Os rebeldes do leste da Líbia estão em contato próximo com uma rede clandestina em Trípoli na sua tentativa de derrubar o líder líbio, Muamar Khadafi, segundo informações levantadas pela BBC.

Um membro do Conselho Nacional de Transição da Líbia em Benghazi, Alamin Bejhaj, disse que os dois grupos estão em negociações via Skype ou telefones por satélite.

Belhaj disse achar que esse tipo de comunicação têm funcionado como forma de driblar as tentativas de monitoramento de suas atividades por parte das forças de Khadafi "pois ninguém foi preso ainda".

"Conversamos por cerca de uma hora todas as noites. A rede cobre todos os setores da sociedade e eles nos contam o que seus amigos estão achando ou o que está sendo dito nas mesquitas e nas ruas", acrescentou.

Os rebeldes querem aproveitar o impacto dos ataques aéreos da Otan em Trípoli e garantir que qualquer eventual iniciativa contrária a Khadafi nas ruas da cidade faça parte de uma ação conjunta coordenada.

Experiência

Alamin Belhaj faz parte da oposição há 30 anos além de ser um dos líderes da Irmandade Muçulmana da Líbia, organização que, depois de ser proibida, teve que mudar sua sede de Trípoli para Manchester, na Grã-Bretanha.

O oposicionista afirma ainda que existem sinais de que os oposicionistas estão perdendo o medo e que o governo de Khadafi está se enfraquecendo. Ele cita informações de funcionários do governo, que dizem que autoridades encarregadas de alguns departamentos desapareceram..

Segundo Belhaj existem mais informações de que o número de patrulhas de rua, formadas por milícias partidárias de Khadafi, parece estar diminuindo, como se eles tivessem sido transferidos para outros lugares.

"Temos 100% de certeza de que vai haver um levante em Trípoli, é uma questão de tempo", afirmou.

No entanto, a liderança rebelde quer evitar uma repetição dos eventos que ocorreram após a liberação de Benghazi no final de fevereiro. A liberação estimulou protestos espalhados e descoordenados contra o regime na capital, Trípoli, que foram facilmente esmagados pelas forças do governo.

Desta vez, a liderança rebelde espera que seus contatos com a rede clandestina na capital líbia garantam uma coordenação melhor, para que uma operação militar contra as forças de Khadafi no sul, oeste e leste seja combinada com o levante em Trípoli.

"Vamos fazer isto juntos", afirmou Belhaj.

Massacre

O Conselho Nacional de Transição também quer evitar derramamento de sangue se e quando o governo cair.

"Acreditamos que Khadafi está planejando algo no caso de cair", disse Belhaj. "E tememos os comitês revolucionários pró-Khadafi e parte dos serviços de segurança que protegem o regime. Temos que ter um plano amplo para preparar para o pior dos cenários, para o que pode acontecer caso ele perca o poder."

Para isto, Belhaj afirma que os rebeldes estão tentando entrar em contato especialmente com policiais e oficiais do Exército que aparentemente ainda são leais a Khadafi, mas que, secretamente, garantiram aos rebeldes que vão mudar de lado e aceitar ordens do Conselho Nacional de Transição se Khadafi cair.

Desta forma, a liderança rebelde espera evitar saques, sabotagem e caos generalizado na capital.

No entanto, as informações de Alamim Belhaj não podem ser facilmente verificadas; muito do que ele disse pode ser apenas otimismo ou mesmo propaganda.

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