Kirchner anuncia ministro da Economia como companheiro de chapa

Amado Boudou/Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption O crescimento da economia foi fundamental para a escolha de Boudou, disse Kirchner

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou neste sábado que o atual ministro da Economia, Amado Boudou, será o candidato a vice-presidente na sua candidatura à reeleição, no pleito de outubro.

A presidente disse que a nacionalização dos fundos de pensão e de aposentadoria, sugerido por Boudou, e o crescimento da economia foram “decisivos” para sua escolha.

"O ministro da Economia vai me acompanhar para que nos submetamos à vontade popular", afirmou a presidente.

"Nestes oito anos de gestão e o no período dele (o ex-presidente Nestor Kirchner) tomamos decisões importantes, como o pagamento da divida e do FMI. Depois disso, na minha gestão foi importante recuperar os recursos dos trabalhadores", disse ela.

"A pessoa que me sugeriu esta medida e que me disse que o mundo tinha mudado é o homem que vai me acompanhar, Amado Boudou", afirmou.

Segundo ela, as ideias de Boudou foram fundamentais para que a Argentina enfrentasse a crise global de 2008-2009 sem reduzir o ritmo do seu crescimento econômico – em torno dos 9% anuais.

Lealdade

Cristina Kirchner destacou ainda que a "lealdade" deve ser "um dos atributos" do vice porque, segundo ela, "as instituições valem mais que os homens".

Seu atual vice-presidente, senador Julio Cobos, é atualmente um dos opositores do governo. Cristina e Cobos não se falam desde que ele votou contra um projeto do governo que era criticado pelos fazendeiros do país, em 2008.

O anúncio da presidente foi feito cinco horas antes do limite máximo para a inscrição das candidaturas na Justiça Eleitoral.

Pesquisas de opinião indicam que Cristina seria reeleita se as eleições fossem hoje.

O anúncio do nome do vice gerava forte expectativa no país. Analistas diziam que a fórmula indicaria a linha política do futuro governo.

"Com Boudou, a fórmula é a do Kirchnerismo puro", disse o analista político da TV Todo Noticias, Edgardo Alfano.

O líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado Agustín Rossi, disse que a decisão da presidente foi “excelente” porque a nacionalização das chamadas AFJPs (Administração de Fundos de Aposentadorias e Pensões), ideia de Boudou, "foi fundamental" para o país.

Segundo ele, com a nacionalização o governo teve recursos para medidas como a distribuição de benefícios para os mais carentes.

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