Francesa Christine Lagarde é a escolhida para comandar FMI

Ex-ministra da economia da França, Christine Lagarde, agora diretora do FMI. AFP Direito de imagem AFP
Image caption Lagarde conseguiu o apoio de emergentes como o Brasil e manteve a hegemonia europeia no FMI

A ministra francesa de Finanças, Christine Lagarde, foi confirmada nesta terça-feira como a nova diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Lagarde, de 55 anos, iniciará seu mandato de cinco anos no dia 5 de julho, tornando-se a primeira mulher a comandar o FMI.

Ela substitui o também francês Dominique Strauss-Kahn, afastado do cargo no mês passado em meio a um escândalo sexual.

O nome de Lagarde foi escolhido pelo conselho executivo do FMI, formado por 24 membros que representam os 187 países que integram o Fundo.

“Estou profundamente honrada com a confiança depositada em mim pelo conselho executivo”, disse Lagarde em um comunicado divulgado logo após o anúncio.

“O FMI serviu satisfatoriamente a seus 187 países-membros durante a crise financeira e econômica mundial, transformando a si mesmo de várias maneiras positivas. Será meu objetivo primordial que a nossa instituição continue a servir todos os seus membros com o mesmo foco e o mesmo espírito”, afirmou a francesa.

Disputa

Lagarde disputava a vaga com o presidente do Banco Central do México, Agustín Carstens, que tentava ser o primeiro latino-americano a assumir a chefia do FMI, tradicionalmente ocupada por europeus.

Na semana passada, ambos os candidatos estiveram em Washington para se reunir com membros do conselho executivo do FMI e apresentar suas propostas.

Em um comunicado, o FMI disse que ambos demonstraram ser “candidatos muito qualificados”, mas que, após considerar “todas as informações relevantes a respeito das candidaturas”, o conselho executivo decidiu pela francesa.

A candidatura de Lagarde, que já contava com o endosso de países europeus e da China, ganhou mais força nesta terça-feira, poucas horas antes do anúncio do FMI, quando Brasil, Estados Unidos e Rússia manifestaram seu apoio.

Reformas

Em nota, o governo brasileiro afirmou que escolheu a francesa “por seu reiterado compromisso com a continuidade do processo de reformas do Fundo”.

Essas reformas dizem respeito à transferência de cotas para países emergentes e em desenvolvimento, aumentando assim seu poder decisório, além do compromisso de que o próximo diretor-gerente do FMI não seja necessariamente um europeu.

Os países emergentes vêm aumentando a pressão para quebrar a tradição de deixar o comando do FMI sempre nas mãos de um europeu – Lagarde será a 11ª ocupante do cargo –, e o do Banco Mundial com um americano.

Na nota, o Brasil lamentou ainda a rapidez do processo de escolha do substituto de Strauss-Kahn, que teria dificultado o “aprofundamento dos debates”.

O processo de substituição de Strauss-Kahn foi anunciado pelo FMI em 20 de maio, um dia depois de o então diretor-gerente ter renunciado ao cargo, que ocupava desde 2007.

Strauss-Kahn – que era considerado um dos favoritos nas eleições presidenciais da França – foi obrigado a deixar o cargo antes do fim de seu mandato após ter sido preso, acusado de agressão sexual e tentativa de estupro por uma camareira de hotel em Nova York.

Ele permanece em prisão domiciliar nos Estados Unidos enquanto aguarda julgamento.]

Grécia

Em sua primeira declaração como nova diretora do FMI, Lagarde pediu à oposição grega que apoie o pacote de ajuste apresentado pelo governo do país ao parlamento. O plano de corte de gastos e aumento de impostos é uma das condições impostas à Grécia para o recebimento de ajuda financeira.

Lagarde tem acompanhado de perto a crise na Grécia, que já teve um pacote de ajuda aprovado pelo FMI e pela União Europeia (sendo Alemanha e França os responsáveis pela maior fatia da contribuição).

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