UE elogia aprovação de medidas de austeridade na Grécia

Protestos em Atenas contra medidas de austeridade (AP) Direito de imagem AP
Image caption Pacote é exigido pelo FMI e pela UE para liberar empréstimo, mas enfrenta resistência popular

A União Europeia elogiou a aprovação pelo Parlamento grego, nesta quarta-feira, de um pacote de medidas de austeridade que enfrenta fortes críticas populares e que desencadeou protestos e greves.

A UE disse que as medidas aprovadas são um passo vital para evitar “um grave cenário de moratória”.

Entre as medidas do plano de austeridade estão cortes orçamentários, aumento de impostos e privatizações. Sindicatos se opõem às propostas do governo, principalmente à que prevê a cobrança de impostos de trabalhadores que ganham salário mínimo.

Mas as medidas são exigidas pela UE e pelo FMI como contrapartida para a liberação da última parcela – de 12 bilhões de euros (R$ 27 bilhões) – de um pacote de resgate (que totaliza 110 bilhões de euros).

O dinheiro será usado pela Grécia para quitar dívidas que vencem no curto prazo, e, caso não fosse liberado, poderia forçar Atenas a declarar a moratória dessas dívidas.

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Seria a primeira moratória declarada por um país da zona do euro, e a Europa temia os efeitos disso na moeda comum e em outros países com economia frágil no continente, como Portugal e Irlanda.

O presidente da Comissão Europeia (braço executivo da UE), José Manuel Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disseram que a aprovação das medidas pelo Parlamento são um “voto de responsabilidade nacional”, que pavimentarão o caminho para um segundo pacote de resgate financeiro à Grécia, que será de estimados 120 bilhões de euros.

“O país deu um importante passo à frente no caminho necessário da consolidação fiscal e de reformas que reforçarão seu crescimento”, disseram Barroso e Rompuy em comunicado conjunto.

Angela Merkel, chanceler (premiê) da Alemanha – país que é o maior credor da Grécia –, disse que a aprovação das medidas é “uma notícia muito boa”, importante para a estabilidade do euro como um todo.

O pacote aprovado prevê cortes que resultarão em uma economia estimada em 28 bilhões de euros ao longo de cinco anos. O primeiro-ministro grego, George Papandreou, havia afirmado que, se o governo fosse derrotado, os cofres do país ficariam vazios "em uma questão de dias".

Segundo o correspondente da BBC em Atenas Malcolm Brabant, as medidas de austeridade, mesmo aprovadas, podem voltar a ser contestadas nesta quinta-feira, quando os parlamentares discutirão outra lei que detalha como o pacote será implementado.

Rejeição popular

A população grega, por sua vez, tem rejeitado fortemente as medidas de austeridade. Pesquisas indicam que entre 70% e 80% dos gregos são contra o pacote do governo. Sindicatos afirmam ainda que, com os cortes no setor público, a taxa de desemprego já ultrapassou os 16%.

Antes da votação desta quarta, milhares de manifestantes voltaram às ruas próximas ao Parlamento grego, em protesto contra as reformas.

Segundo Brabant, a polícia de choque afastou os manifestantes do Parlamento, empurrando a multidão em direção ao prédio do Ministério das Finanças.

O correspondente afirma que bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas na estação do metrô, fazendo diversas pessoas cair nas escadas, sufocadas. Outras pessoas foram pisoteadas ao tentar fugir da nuvem de gás, mas se levantaram e conseguiram escapar.

Além dos protestos, a Grécia vive desde terça-feira uma greve geral, que paralisa a maior parte dos serviços públicos.

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