Indústria japonesa cresce acima do esperado

Fábrica de carros Honda no Japão  (Foto: AFP/ Getty Images) Direito de imagem AFP Getty Images
Image caption Indústria automotiva foi particularmente afetada por duplo desastre natural (Foto: AFP/ Getty Images)

A produção industrial japonesa teve um aumento acima do esperado em maio, indicando que a economia está se recuperando do terremoto seguido de tsunami que castigaram o país no mês de março.

Segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério de Economia, Indústria e Comércio, houve um crescimento de 5,7% na produção industrial em comparação ao mês anterior.

Este foi o segundo aumento consecutivo, depois da queda acentuada de 15,5% em março. Em abril, o crescimento tinha sido de 1% em relação ao mês anterior.

O desastre havia danificado muitas fábricas, o que causou interrupção sobretudo na cadeia de distribuição de peças para o setor automotivo.

Muitas empresas foram forçadas a parar a produção, fazendo com que a atividade industrial no Japão caísse ao menor patamar registrado desde 1953, quando foi criado o indicador econômico.

“Com a recuperação da rede de fornecimento de peças, a produção tem mostrado uma forte recuperação, principalmente o setor automotivo”, comentou à BBC Yuichi Kodama, da Meiji Yasuda Life Insurance.

Os setores de maquinaria e químicos também tiveram um bom desempenho no mês passado.

De volta aos trilhos

Logo após o maior terremoto da história do Japão, seguido de tsunami, o setor automobilístico foi um dos mais afetados.

A falta de peças e os apagões programados resultaram em queda acentuada na fabricação de carros. Muitas das montadoras, como Toyota e Honda, chegaram a suspender toda a produção.

Mas, aos poucos, o setor tem retomado a produção. Na terça-feira (28), a Toyota divulgou que a produção doméstica caiu 54,4% em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No mês passado, a queda tinha sido de 74,5%.

Já a Honda registrou uma queda de 53,4% na fabricação de carros no Japão no mês de maio, também em comparação com o mesmo mês de 2010. Em abril, a queda tinha sido de 81%.

Apesar de ainda não ter retomado a produção em grande escala, analistas dizem que o setor tem se recuperado muito mais rápido do que o esperado.

Verão

Porém, apesar do aumento na produção industrial, a chegada antecipada dos dias quentes no Japão tem preocupado o governo e o setor empresarial por causa da possível falta de energia elétrica.

No verão, o consumo doméstico tem um aumento considerável e o Japão ainda enfrenta problemas na produção de energia por causa da paralisação das atividades em algumas usinas nucleares.

Analistas advertem que se não for encontrada uma solução rápida para a crise energética, toda a economia japonesa pode sofrer efeitos colaterais.

“No longo prazo, restrições no fornecimento de energia são um risco para a economia, já que muitas empresas podem optar por transferir suas produções para outros países”, explicou à BBC Yoshiki Shinki, do Instituto de Pesquisas Daiichi Life.

“Isso poderia pesar na taxa de crescimento potencial do Japão”, acrescentou.

Para enfrentar o problema iminente, muitas fábricas japonesas – principalmente fabricantes de veículos e de eletroeletrônicos – já anunciaram que vão folgar às quintas e sextas-feiras e trabalhar aos sábados e domingos.

Outras vão transferir o turno da tarde para a noite, evitando assim o horário de pico no consumo de energia.

Além disto, o governo intensificou as campanhas para que a população e o comércio colaborem e reduzam o consumo de energia neste verão.

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