Cidade síria vive calmaria após confrontos com polícia, dizem moradores

Manifestação contra Assad em Hama/AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Os protestos da sexta-feira em Hama foram dos maiores até agora contra Assad

A cidade de Hama, no oeste da Síria, voltou ao estado de calmaria na noite desta segunda-feira, após um dia de duros confrontos entre manifestantes e forças de segurança, segundo relatos de moradores locais.

As forças de segurança do regime sírio entraram na cidade em uma tentativa aparente de retomar o controle local, três dias depois de a cidade ter sido sede de um dos maiores protestos já feitos contra o regime do presidente Bashar al-Assad.

Moradores disseram que policiais e soldados reprimiram manifestantes, que por sua vez atiraram pedras e bloquearam estradas com pneus em chamas.

Segundo relato desses moradores à BBC, três pessoas morreram nos confrontos, ao menos 20 ficaram feridas e outras 20 foram detidas pela polícia.

Segundo os locais, áreas a oeste e a norte da cidade continuam bloqueadas e sob patrulha constante das tropas do regime de Assad.

Protesto

No sábado, Assad demitiu o governador de Hama, após as forças de segurança locais não terem conseguido impedir a realização de uma grande manifestação contra o governo, ocorrida na véspera.

Vídeos gravados com telefones celulares mostraram um pequeno grupo de manifestantes em uma rua de Hama enfrentando homens uniformizados, enquanto tiros eram ouvidos ao fundo.

Há um mês, tropas leais ao governo teriam disparado contra manifestantes em Hama, matando pelo menos 60 pessoas.

Em 1982, uma outra onda de protestos realizada em Hama resultou em um massacre, quando o Exército sírio, seguindo ordens do então presidente, Hafez al-Assad, pai do atual líder do país, reprimiu duramente uma revolta realizada por representantes da comunidade islâmica sunita.

Os tanques e veículos blindados que cercaram Hama no domingo teriam sido deslocados para outra região e estariam agora rumando para a província de Idlib.

Em um outro desdobramento, as forças do governo teriam disparado contra pessoas que protestavam em um subúrbio de Damasco, matando dois manifestantes.

Desde março, a Síria tem vivido uma onda de manifestações contra o governo que se inspirou nas insurreições ocorridas na Tunísia e do Egito, que provocaram a queda dos governos destes países.

Grupos de direitos humanos afirmam que forças sírias mataram pelo menos 1.300 civis em todo o país e prenderam ao menos 12 mil desde que os protestos começaram.

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