Forças da Síria teriam entrado em cidade que protestou contra governo

Manifestação contra Assad em Hama/AFP Direito de imagem BBC World Service
Image caption Os protestos da sexta-feira em Hama foram dos maiores até agora contra Assad

Forças de segurança do governo da Síria entraram na cidade de Hama nesta segunda-feira, em uma tentativa aparente de retomar o controle local, três dias depois de a cidade ter sido sede de um dos maiores protestos já feitos contra o regime do presidente Bashar al Assad.

Moradores disseram ter visto pelo menos trinta ônibus com policias e soldados chegando à cidade pela manhã.

De acordo com testemunhas, os policiais e soldados teriam prendido cerca de 20 pessoas. Manifestantes responderam à repressão arremessando pedras contra policiais e soldados e bloqueando ruas com pneus em chamas.

Os enfrentamentos teriam deixado pelo menos 16 pessoas feridas.

Protesto

No sábado, o presidente Bashar al Assad demitiu o governador de Hama, após as forças de segurança locais não terem conseguido impedir a realização de uma grande manifestação contra o governo, ocorrido no dia anterior.

Vídeos gravados com telefones celulares mostraram um pequeno grupo de manifestantes em uma rua de Hama enfrentando homens de uniforme, enquanto tiros são ouvidos ao fundo.

Há um mês, tropas leais ao governo teriam disparado contra manifestantes em Hama, matando pelo menos 60 pessoas.

Em 1982, uma outra onda de protestos realizada em Hama resultou em um massacre, quando o Exército sírio, seguindo ordens do então presidente, Hafez al-Assad, pai do atual líder do país, reprimiu duramente uma revolta realizada por representantes da comunidade islâmica sunita.

Os tanques e veículos blindados que cercaram Hama no domingo teriam sido deslocados para outra região e estariam agora rumando para a província de Idlib.

Em um outro desdobramento, as forças do governo teriam disparado contra pessoas que protestavam em um subúrbio de Damasco, matando dois manifestantes.

Desde março, a Síria tem vivido uma onda de manifestações contra o governo que se inspirou nas insurreições ocorridas na Tunísia e do Egito, que provocaram a queda dos governos destes países.

Grupos de direitos humanos afirmam que forças sírias mataram pelo menos 1.300 civis em todo o país e prenderam ao menos 12 mil desde que os protestos começaram.

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