Chávez cita 'conspiração' no dia da independência venezuelana

Criança segura cartaz com rosto do presidente Hugo Chávez em manifestação de apoio em Caracas (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption O ministro da Defesa descartou qualquer desestabilização nas Forças Armadas

Depois do surpreendente regresso à Venezuela após o tratamento contra o câncer em Cuba, o presidente Hugo Chávez convocou nesta terça-feira os venezuelanos a lutar pela unidade do país e combater "conspirações" durante as comemorações do bicentenário da independência do país.

Chávez abriu o desfile militar que marcou a data na capital venezuelana, Caracas, com um discurso transmitido ao vivo do Palácio de Miraflores, a sede da Presidência.

No pronunciamento de 16 minutos – até antes da doença, o presidente era conhecido por fazer pronunciamentos muito mais demorados - Chávez, acompanhado do alto escalão militar, voltou a afirmar que está se "recuperando" da cirurgia para retirada de um tumor cancerígeno na zona pélvica.

"Devemos vencer as divisões e conspirações, derrotando em mil batalhas aqueles que pretendem, de dentro e de fora, debilitar e trazer abaixo a pátria e sua independência", disse Chávez, sem identificar a quem se referia. "Devemos derrotá-los e derrotá-los em paz."

A menção de Chávez a "divisões" internas ocorre depois de o vice-presidente, Elias Jaua, ter indicado que poderá haver uma mudança ministerial.

Na segunda-feira, o ministro da Defesa, Carlos Mata Figueroa, descartou, em entrevista à BBC Brasil, qualquer possibilidade de desestabilização entre grupos militares. "A lealdade das Forças Armadas a Chávez está mais forte que nunca", disse.

Desfile

Na zona militar de Fuerte Tiúna, no sul de Caracas, milhares de venezuelanos acompanhavam o desfile do bicentenário.

Mais do que o aniversário da independência, o eletricista Edgar Cabrera celebrava o retorno do presidente. "Sabíamos que ele não ia ficar de fora", disse. "Se hoje temos soberania e não temos os gringos enfiados aqui é graças ao comandante (Chávez)."

Acompanhada da família, a comerciante Saralys Perez também creditava à Chávez o "despertar" do nacionalismo venezuelano. "Antes não dávamos tanta importância à nossa independência. Agora a luta é pela revolução", afirmou. A filha de Saralys trazia um cartaz com a frase "Chávez bem-vindo, teu povo te ama".

Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, do Paraguai, Fernando Lugo, e do Uruguai, José Mujica, reuniram-se com Chávez no Palácio de Miraflores antes de prestigiarem o desfile. O Brasil e os demais países da região foram representados por seus ministros de Relações Exteriores.

O presidente da Venezuela retornou ao país na madrugada desta segunda-feira, após quase um mês em Cuba.

Em sua primeira aparição pública, desde a cirurgia, Chávez relatou que esteve internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) durante quatro dias e que viveu "dias difíceis".

Ele também disse que continua batalhando para vencer o câncer.

"Aqui estou, aqui estamos, prontos para a segunda, a terceira, a quarta e todas as (etapas) que vierem", disse na segunda-feira. "Juro que ganharemos essa batalha".

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