Agência vê risco de novo pacote de ajuda e rebaixa dívida de Portugal

Morador de rua em Lisboa (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Moody's diz que Portugal pode precisar de um segundo pacote de resgate

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou nesta terça-feira o status da dívida de Portugal para o nível de grau especulativo (também chamado de junk, ou lixo, em tradução literal) e justificou a decisão dizendo que há um crescente risco de o país precisar um segundo pacote de resgate antes que consiga, por sua conta, levantar verbas no mercado internacional.

A dívida foi rebaixada em quatro níveis para "Ba2". Com isso, a Moody’s sinaliza aos investidores que considera questionável que Portugal consiga honrar seus compromissos financeiros.

Além da possibilidade de que o país precise de um segundo pacote de resgate financeiro, a Moody's também acredita estar aumentando a possibilidade de que a participação de credores privados no pacote passe a ser necessária.

Na Grécia, existe a perspectiva de que os bancos particulares que emprestaram dinheiro ao país levem mais tempo para serem pagos. Para a Moody’s, isso vai afugentar investidores privados e tornar ainda mais difícil a Portugal tomar empréstimos, o que justifica o rebaixamento da dívida.

A possibilidade de um resgate com aportes privados em Portugal é "significativa, não só porque aumenta os riscos econômicos dos atuais investidores, mas também porque desestimula o setor privado a continuar emprestando e reduz a possibilidade de que Portugal reconquiste logo acesso ao mercado (de empréstimos) em termos sustentáveis", segundo comunicado da agência.

'Contágio'

Portugal, Irlanda e Grécia já tiveram aprovados pacotes de resgate financiados pela União Europeia e pelo FMI na tentativa de recuperar suas economias.

No caso da Grécia, um segundo resgate, estimado em 120 bilhões de euros, já está em fase de negociações.

A agência também citou preocupações com a possibilidade de Portugal não conseguir reduzir seu deficit público, conforme o estipulado pelo acordo do pacote de resgate.

Portugal teria de cortar seu deficit para 3% de seu PIB até 2013, em comparação com 9,1% do ano passado.

O rebaixamento da classificação da dívida do país levanta dúvidas também quanto à saúde financeira da Espanha, segundo analistas de mercado.

"O rebaixamento de Portugal é claramente negativo, porque, à medida que rebaixamentos se espalham do país mais fraco (Grécia) a outro fraco, o mercado começa a se perguntar: 'se Portugal é rebaixada, a Espanha será a próxima?'", disse Cary Leahey, da consultoria Decision Economics, em Nova York.

"É sintomático dos efeitos de contágio na zona do euro."

Em um comunicado, o Ministério das Finanças de Portugal criticou a decisão da Moody's, dizendo que ela não leva em conta o "ambicioso" programa de austeridade adotado no país, que inclui mudanças no sistema tributário.

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