Ministro da Reconstrução no Japão cai após uma semana

O recém-indicado ministro da Reconstrução Ryu Matsumoto é cercado por jornalsitas ao deixar uma entrevista coletiva após ter anunciado a sua renúncia, no dia 5 de julho de 2011 Direito de imagem REUTERS
Image caption Matsumoto pediu desculpas às vítimas do terremoto

O ministro da Reconstrução do Japão, Ryu Matsumoto, renunciou uma semana após ter assumido o cargo.

Ele foi duramente criticado por ter feito declarações consideradas grosseiras e arrogantes dirigidas a governadores de áreas do país gravemente afetadas pelo terremoto seguido de tsunami em março deste ano.

Ele afirmou que o governo não iria auxiliá-los financeiramente a não ser que eles surgissem com boas propostas de reconstrução e repreendeu publicamente outro representante estadual, se recusando a apertar sua mão.

A renúncia deverá aumentar ainda mais a pressão sobre o já impopular governo do primeiro-ministro, Naoto Kan.

A indicação de Matsumoto à pasta recém-criada da Reconstrução no dia 27 de junho visava conter as críticas à administração do premiê.

No mês passado, Kan enfrentou um voto de desconfiança apresentado por parlamentares insatisfeitos com a forma como lidou com o processo de reconstrução e com a crise na usina nuclear de Fukushima após o desastre natural.

O primeiro-ministro está a apenas um ano no cargo e se comprometeu a renunciar em breve, mas só depois de conseguir a aprovação, no Parlamento, de vários projetos de lei ligados à recuperação do desastre e de energia renovável.

O correspondente da BBC em Tóquio Roland Buerk disse que o premiê está tentando persuadir parlamentares a liberar um adicional de US$ 25 bilhões de verba aos fundos de reconstrução e que os comentários de seu ministro acabaram representando uma distração indevida.

'Comentários duros'

De olhos marejados, Matsumoto anunciou a sua renúncia durante uma entrevista coletiva na terça-feira.

''Gostaria de oferecer minhas desculpas por ter ofendido as pessoas das áreas afetadas pela região do desastre. Eu pensava estar emocionalmente próximo às vítimas do desastre, mas não tive palavras suficientes e meus comentários foram muito duros'', afirmou.

Matsumoto, de 60 anos, fez os comentários ofensivos no domingo, durante o seu primeiro giro pelas áreas de Miyagi e Iwati, afetadas pelo tsunami.

Ele repreendeu publicamente o governador de Miyagi, Yoshhiro Mural, por tê-lo mantido esperando e se recusou a apertar a mão dele assim que o representante estadual a estendeu em sua direção.

''Você chegou atrasado. Quando um convidado chega, você precisa já estar lá para recebê-lo. A força de Autodefesa age dessa forma porque eles compreendem que os jovens devem honrar os mais velhos. Você entendeu? Trabalhe duro'', disse Matsumoto.

Em seguida, ele disse a jornalistas presentes que seus comentários não deveriam ser veiculados, acrescentando que suas redes de TVs sofreriam retaliações se exibissem as declarações.

Ao se encontrar com o governador de Iwate, Takuya Tasso, Matsumoto advertiu que o governo ''irá ajudar áreas que oferecerem ideias, mas não irá ajudar aquelas que não têm ideias. Quero que vocês trabalhem com esse tipo de determinação''.

Os comentários foram veiculados na TV e os vídeos se tornaram virais, recebendo milhares de hits no YouTube e em outros sites de compartilhamento de vídeos, gerando um clamor público e pressões pela renúncia do ministro.

Ao retornar a Tóquio, quando questionado a respeito de suas declarações, Matsumoto culpou o seu tipo sanguíneo pelo arroubo. No Japão, pessoas com sangue tipo B tem fama de ter personalidades intempestivas.

Durante seu discurso de renúncia, Matsumoto afirmou que continuará ajudando nos esforços de reconstrução como um ''soldado''.

O terremoto e tsunami de 11 de março destruiu lares, empresas e cidades quase inteiras ao longo da costa nordeste do Japão, deixando de mais de 20 mil pessoas mortas ou desaparecidas.

Notícias relacionadas