Nova chefe do FMI alerta para fluxo excessivo de capitais para emergentes

Lagarde, na sede do FMI, em Washington. Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Lagarde assinou cláusula de conduta ética ao assumir o posto, antes ocupado por Strauss-Khan

Em sua primeira entrevista coletiva como diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), a francesa Christine Lagarde prometeu nesta quarta-feira levar adiante as reformas em curso na instituição para dar mais voz às economias emergentes. Ela alertou, no entanto, que o fluxo excessivo de capital para esses países são um dos principais problemas no momento.

"Há um movimento volumoso de investimentos em áreas do mundo que não estão preparadas para isso e há o temor sobre os efeitos (disso) em suas economias", disse Lagarde, em Washignton.

Segundo ela, partes do mundo emergente se deparam com o "risco de superaquecimento (da economia) e de inflação".

A ex-ministra das Finanças da França disse ainda que o alto nível de endividamento de alguns países, uma referência indireta à Grécia, é outro problema que precisa ser atacado imediatamente.

Lagarde ressaltou, no entanto, que a questão do alto endividamento vai além da zona do euro. "É um assunto muito amplo que precisa ser tratado de forma urgente".

Reforma

A nova chefe do FMI se comprometeu a "completar as reformas" na instituição, dizendo que "a governança e as quotas precisam ser reajustadas".

"O mundo vai continuar a mudar", disse Lagarde. "Nós temos essas placas tectônicas que estão se movendo no momento, e isso precisa estar refletido na composição da governança e do emprego no Fundo", afirmou.

Países emergentes, entre eles o Brasil, vêm pressionando por reformas, entre elas a redistribuição de cotas, que reflitam o papel de maior destaque dessas economias no atual cenário global. Também querem que o FMI quebre a tradição de eleger sempre um europeu para o cargo principal.

Quando anunciou seu apoio à candidatura de Lagarde para o cargo – em detrimento do mexicano Agustín Carstens, que pretendia ser o primeiro representante de um país latino-americano no comando do FMI – o governo brasileiro já havia ressaltado o compromisso da francesa em avançar no processo de reforma do FMI.

A ex-ministra das Finanças assumiu o cargo após a renúncia de Dominique Strauss-Khan, que chegou a ser preso em Nova York acusado de abuso sexual contra a funcionária de um hotel. Ele foi solto na semana passada após a promotoria reconhecer que a camareira pode ter mentido.

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