Mantega diz que 'perde mais sono' com real valorizado do que com inflação

Guido Mantega, em foto de arquivo (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Para ministro, 'cenário é desfavorável por causa das políticas monetárias dos países avançados'

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nessa quinta-feira em Paris que está "está perdendo mais o sono" por causa da valorização do real do que por causa das taxas de inflação, que "estão sob controle".

Mantega participou na capital francesa do seminário Second Brazil Business Summit, organizado pela revista britânica The Economist, que discutiuos desafios da economia brasileira.

O ministro declarou que as taxas de inflação vêm caindo e que as metas deverão ser cumpridas neste ano e nos próximos anos.

Já a valorização do real tem sido um fator maior de preocupação para o governo atualmente, afirmou Mantega.

"O cenário atual é muito desfavorável por causa das políticas monetárias expansionistas dos países avançados", afirmou.

"Os países desenvolvidos precisam parar com a política de expansão monetária. Talvez isso possa ocorrer com a reforma das regras do sistema monetário internacional para evitar a manipulação do câmbio", disse o ministro, que critica regularmente a política monetária americana.

Ao ser questionado sobre o fato de não fazer críticas em relação ao papel da China na questão do câmbio, o ministro afirmou que "critica todas as manipulações feitas com o câmbio, não apenas os Estados Unidos".

"Não sei se os EUA manipulam. O problema é a política expansionista, que leva à subvalorização do dólar. Mas, claro, a China manipula seu câmbio, que deveria ser flutuante", disse.

Mantega declarou ainda “que o Brasil não vai deixar de subir os juros por causa do câmbio”.

Medidas cambiais

O ministro voltou a declarar que o governo estuda medidas para conter a alta do real “porque a valorização tende a continuar”, mas não quis comentar quais iniciativas poderiam ser adotadas.

Para ele, a "guerra cambial continua" e poderá ficar mais intensa em razão da crise econômica nos países ricos.

Segundo Mantega, a economia brasileira "não está superaquecida" e "não há bolha de crédito no Brasil". "São as economias avançadas que estão subaquecidas", analisou.

"Os órgãos internacionais deveriam agradecer aos emergentes por terem mantido um nível de crescimento da economia mundial."

Fusão

O ministro também comentou a proposta de fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour - que pode envolver a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - e afirmou que "o governo não vai admitir uma atuação política do banco no projeto".

Mantega disse que o banco "deverá justificar suas ações em um projeto eminentemente comercial".

O ministro da Fazenda também falou sobre os planos do governo de lançar uma nova política industrial.

De acordo com ele, entre as medidas que farão parte dessa política estão a redução da carga tributária - com a reforma do ICMS, que está sendo negociada atualmente com os governadores, e a redução de encargos trabalhistas das empresas -, além de uma desoneração fiscal para investimentos em tecnologia.

O ministro da Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, que também participou do evento da Economist, disse que o governo deverá apresentar no final deste mês um programa de desoneração de tributos para empresas que investirem em pesquisas e tecnologia.

Segundo Pimentel, deverá haver desoneração de insumos como energia elétrica, telecomunicação e energia.

"Não há outro caminho para enfrentar o gigante asiático", disse Pimentel na conferência, ressaltando que os investimentos em alta tecnologia são fundamentais para os produtos brasileiros se tornarem mais competitivos.

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