Jornal britânico pode ter monitorado telefone de 4 mil pessoas, diz polícia

Policial sai do prédio da empresa News International, em Londres. Direito de imagem Getty

A polícia britânica disse nesta quinta-feira que analisa 11 mil páginas de material, com quase quatro mil nomes de possíveis vítimas de monitoramento telefônico ilegal feito por jornalistas do tabloide britânico News of The World.

A investigadora chefe do caso, Sue Akers, disse entender que muitos no país estão insatisfeitos com as revelações e pediu paciência enquanto o material, apreendido em 2005, é analisado.

Ela disse que a polícia "entrará em contato com todos os que tiverem detalhes pessoais encontrados nos documentos... e meus oficiais trabalham para que isso aconteça o mais rápido possível".

Akers disse que a tarefa por si só vem consumindo muito tempo e a polícia ainda tem que atender centenas de pessoas que entram em contato por suspeitar que seus telefones possam também ter sido violados.

O chefe da força policial de Londres, Paul Stephenson, disse que está determinado a descobrir quaisquer casos de corrupção dentro da própria polícia, após revelações de que o jornal teria pago para obter informações.

O escândalo causou revolta em boa parte da opinião pública britânica e o diretor do grupo, James Murdoch, anunciou nesta quinta-feira o fechamento do jornal de 168 anos, o mais vendido aos domingos no país.

Hugh Grant

O caso ganhou repercussão internacional após a revelação de que em 2002 o jornal acessou ilegalmente a caixa postal do celular da estudante Milly Dowler, que estava desaparecida, em busca de informações para suas reportagens.

Durante as escutas, foram mensagens foram apagadas, fazendo com que os investigadores e a família acreditassem que Milly ainda estava viva.

Familiares das vítimas dos atentados de 7 de Julho, em 2005, também tiveram seus celulares violados pelo jornal.

A empresa News International, controlada pelo magnata Rupert Murdoch, já havia sido acusada, em 2006, de pagar detetives para interceptar mensagens telefônicas de celebridades, políticos e esportistas, como o ator Hugh Grant.

No início da semana, Grant revelou que gravou, escondido, uma conversa tida com um ex-editor do News of The World, em que ele revelou detalhes sobre o monitoramento ilegal feito pelos jornalistas.

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