Egito promete ação contra policiais acusados de matar manifestantes

Protesto na praça Tahrir, neste sábado (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption População voltou às ruas, para pedir agilidade nas reformas políticas

O governo do Egito ordenou neste sábado a suspensão de policiais acusados de terem matado manifestante durante o levante popular que levou à renúncia do ex-presidente Hosni Mubarak.

O premiê do país, Essam Sharaf, disse também que será criado um painel para avaliar a repressão e apressar a investigação de autoridades acusadas de corrupção durante o regime de Mubarak.

O levante popular de oposição ao presidente, entre janeiro e fevereiro deste ano, resultou na morte de 846 pessoas.

Simultaneamente ao pronunciamento do premiê, uma multidão se reuniu neste sábado na praça Tahrir, no Cairo, para exigir que o governo militar interino agilize as reformas políticas do país e a deposição de autoridades que foram parte do regime de Mubarak.

É o segundo dia consecutivo de protestos na praça, reunindo manifestantes insatisfeitos com o ritmo das mudanças políticas no país.

Correspondentes da BBC relatam que, na sexta-feira, a praça Tahrir estava tão repleta de pessoas insatisfeitas quanto na época dos levantes anti-Mubarak. Houve protestos também em Alexandria e Suez.

Até agora, apenas um policial foi condenado (e à revelia), entre mais de uma dúzia de casos que correm na Justiça relacionados à repressão de manifestantes.

No início da semana, outros sete policiais acusados de matar civis foram libertados sob fiança, e uma corte no Cairo absolveu três ministros de Mubarak, que haviam sido acusados de mau uso de verbas públicas.

Em discurso televisionado, Sharaf disse neste sábado que concordava com as demandas dos manifestantes egípcios e que ordenava “ao Ministério do Interior que tirasse da ativa todos os policiais acusados de mortes”.

O premiê também disse que “um mecanismo de diálogo com todas as forças políticas do país” será formado.

Alegação de tortura

Pouco depois do pronunciamento do premiê, a imprensa estatal egípcia informou que promotores em Alexandria ordenaram a prisão e o interrogatório de três policiais, em relação à morte de Mohamed Sayyid Bilal.

Segundo sua família, ele foi torturado enquanto estava sob custódia policial.

Bilal fora detido em janeiro, após um atentado em uma igreja cristã copta ter deixado 23 mortos em Alexandria. Investigações posteriores revelaram, porém, que Bilal não tivera participação no atentado.

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