Brasil anuncia relações diplomáticas com o Sudão do Sul

Cerimônia de posse do presidente do Sudão do Sul (AP) Direito de imagem AP
Image caption Presidente do Sudão do Sul tomou posse neste sábado, diante de Ban Ki-moon e Omar al-Bashir

O Brasil anunciou formalmente o estabelecimento de relações diplomáticas com o Sudão do Sul, o mais novo país do mundo, que neste sábado se tornou independente do restante do Sudão.

Em comunicados divulgados neste sábado, o Itamaraty disse que "saúda a proclamação de independência", que se segue a um acordo de paz em 2005 e a um referendo popular, realizado no início deste ano, em que a maioria dos votantes decidiu pela separação entre norte e sul.

"O governo brasileiro reitera sua disposição em cooperar com a República do Sudão do Sul e de contribuir para seu desenvolvimento social e econômico sustentável", disse o Itamaraty.

"Ciente das questões ainda pendentes entre o novo país e a República do Sudão, o governo brasileiro manifesta confiança de que as partes possam superar suas diferenças por meio do entendimento e do diálogo e trabalhar de forma conjunta rumo à estabilidade e à prosperidade."

O novo país nasceu com festa neste sábado, e milhares de pessoas foram às ruas festejar a partir da meia-noite.

Desafios

Mas o Sudão do Sul enfrenta também duríssimos desafios: além de já ser uma das nações mais pobres do mundo, tem ainda de resolver pendências com a República do Sudão, como o traçado de fronteira e a divisão de lucros obtidos com a venda do petróleo.

Escaramuças na região da divisa norte-sul - que concentra muitos dos poços petrolíferos do país - têm sido comuns e ameaçam o processo de paz.

Os dois lados lutaram durante décadas, em guerras que deixaram estimados 1,5 milhão de mortos.

Na tarde deste sábado, milhares de sul-sudaneses assistiram à bandeira do novo país ser hasteada, na capital Juba.

Salva Kirr assinou a Constituição e tomou posse como o presidente do país, em cerimônia acompanhada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e pelo presidente do Sudão, Omar al-Bashir, que felicitou seus “irmãos do sul pela independência”.

Outros países, como EUA e Grã-Bretanha, também anunciaram seu reconhecimento da soberania do Sudão do Sul.

O presidente americano, Barack Obama, disse em comunicado que "o mapa do mundo foi redesenhado", citou o "sangue derramado e as lágrimas choradas" no Sudão, mas também "as esperanças que foram cumpridas por tantos milhões de pessoas".

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