Presidente da Síria ‘perdeu legitimidade’, afirma Hillary

Hillary Clinton, em discurso nesta segunda-feira Direito de imagem Getty
Image caption Fala de secretária é a mais dura já dirigida pelos EUA contra o regime de Bashar al-Assad

No ataque verbal mais duro feito à Síria desde o início da Primavera Árabe, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse nesta segunda-feira que o presidente sírio, Bashar al-Assad, “perdeu sua legitimidade” e que “não é indispensável”.

A fala se segue à deterioração das relações diplomáticas bilaterais e a um ataque, realizado também nesta segunda-feira, às embaixadas de EUA e França em Damasco.

As representações diplomáticas tiveram janelas quebradas e estruturas danificadas por simpatizantes de Assad nesta segunda-feira.

Foi uma aparente retaliação ao fato de os embaixadores americano e francês terem visitado a cidade de Hama, na semana passada, para prestar solidariedade aos manifestantes antigoverno locais.

Em discurso em Washington, Hillary pediu nesta segunda-feira que a Síria “cumpra com sua responsabilidade internacional de proteger todos os diplomatas e as propriedades de todos os países” e disse que os EUA não apostam na continuidade do regime sírio, que há mais de três meses enfrenta uma onda de protestos.

“Sob a nossa perspectiva, ele (Assad) perdeu a legitimidade. Nosso objetivo é que a vontade do povo sírio por transformação democrática se concretize.”

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Image caption Manifestantes pró-governo quebraram janelas da embaixada americana

A correspondente da BBC em Washington Kim Ghattas relata que o discurso de Hillary parece ter como objetivo reduzir o apoio interno de Assad, mas dando a entender que Washington respeita o poder de decisão do povo sírio.

O governo americano, ao mesmo tempo, teme que se repita o que acontece na Líbia – após pedir pela saída do líder Muamar Khadafi, os EUA e seus parceiros internacionais têm tido dificuldade em derrotar seu regime.

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, disse que diplomatas sírios nos EUA serão convocados por conta dos ataques à embaixada e que a restauração dos estragos será cobrada da Síria.

Leia também na BBC Brasil: Embaixadas da França e dos EUA são atacadas em Damasco

Bandeiras trocadas

Na embaixada da França em Damasco, relatos do embaixador Eric Chevallier dão conta de que o local foi atacado durante três horas por manifestantes, que trocaram a bandeira francesa por uma da Síria. Três pessoas teriam se ferido.

O porta-voz da Chancelaria francesa, Bernard Valero, declarou que os seguranças da embaixada tiveram de dar tiros ao alto, “para evitar invasões ao local”.

“Não é com esses métodos ilegais que as autoridades de Damasco desviarão a atenção do problema fundamental”, em referência à “repressão à população síria”, declarou Valero.

A repressão aos protestos, iniciados em meados de março, deixou até agora estimados 1,4 mil civis e 350 oficiais de segurança mortos, segundo grupos de direitos humanos.

O governo sírio deu início, no fim de semana, a um processo de diálogo para debater reformas políticas, mas muitos líderes da oposição têm boicotado a iniciativa.

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