Medidas prometidas por ministros europeus não impedem queda do euro

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Image caption Ministros da Economia da Itália e da Grécia conversam em Bruxelas

A cotação do euro frente ao dólar caiu nesta terça-feira, devido a temores de que as medidas prometidas por ministros da União Europeia para combater a crise da dívida pública que assola diversos países do bloco não serão suficientes.

Especula-se que a Espanha e a Itália não conseguirão pagar suas dívidas públicas, a exemplo do que aconteceu com Grécia, Portugal e Irlanda,precisando recorrer a pacotes de ajuda do FMI e da União Europeia.

Na manhã desta terça-feira, o euro atingiu US$ 1,3946, a menor cotação frente ao dólar em quatro meses.

Na segunda-feira, os ministros da Economia de diversos países europeus reuniram-se por oito horas em Bruxelas.

Após o encontro, eles divulgaram uma nota afirmando que para "melhorar a capacidade sistêmica da zona do euro de resistir ao risco de contágio", os países europeus pretendem "aumentar a flexibilidade e o escopo" do Fundo de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, em inglês), criado para proteger o euro.

Mercado não convencido

Além disso, os ministros afirmaram que vão discutir formas de reduzir os juros cobrados de Grécia, Portugal e Irlanda e estender o prazo de parte das dívidas dos três países, para reduzir o risco de calotes.

"Os ministros reafirmaram seu compromisso absoluto em proteger a estabilidade financeira da zona do euro", afirma a nota.

No entanto, muitos analistas de mercado consideram que a nota não foi convincente, pois não fornece detalhes específicos de como o bloco pretende ajudar Itália e Espanha a pagarem as suas dívidas.

Além disso, há temores de que os esforços para evitar que a Grécia decrete um calote da sua dívida serão insuficientes.

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Image caption Entrevista do premiê Silvio Berlusconi provocou mais instabilidade no mercado

Os mercados de ações na Europa e na Ásia desabaram nesta terça-feira.

Em Londres, às 12h27 (8h27 no horário do Brasil), o índice FTSE 100 operava em baixa de 1,79%. O DAX, da bolsa de Frankfurt, estava com queda de 2,3%.

Itália, a bola da vez

Nesta terça-feira, os ministros da Economia dos países do euro reunirão-se com colegas dos demais países do continente que não usam a moeda.

Muitos analistas temem que a Itália não conseguirá pagar suas dívidas públicas que estão vencendo, o que colocaria mais pressão sobre o euro. O ministro da Economia da Itália, Giulio Tremonti, anunciou que não participará das discussões em Bruxelas nesta terça-feira, pois precisava retornar ao seu país para trabalhar em um pacote de austeridade fiscal.

O governo italiano estuda formas de reduzir seu déficit público. Tremonti propôs cortes de 48 bilhões de euros (mais de R$ 100 bilhões) no orçamento dos próximos três anos, para zerar o déficit público até 2014. Atualmente o déficit é de 3,9% do PIB italiano.

Apesar dos esforços do ministro italiano, o premiê Silvio Berlusconi sugeriu, em uma entrevista a um jornal, que um plano de austeridade fiscal pode não ter apoio de todos os integrantes do seu governo.

A declaração provocou ainda mais pessimismo no mercado. As ações de bancos italianos – grandes detentores de papéis da dívida italiana – desabaram. A cotação do Intesa SanPaolo caiu 6,6%, e do UniCredit, 1,7%.

Outro sinal negativo é que o rendimento de títulos italianos de longo prazo subiu de 5,6% para 5,9%, em uma tentativa de compensar as perdas que os detentores destes papéis estão sofrendo.

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Image caption Barack Obama reuniu-se por dois dias seguidos para negociar orçamento dos EUA

O rendimento dos títulos espanhóis também subiu de 6,1% para 6,3%. Analistas afirmam que, nestas condições, os governos de Itália e Espanha terão problemas para repagar suas dívidas.

Estados Unidos

As autoridades europeias também estão acompanhando a negociação do governo dos Estados Unidos para cortar os gastos públicos e reduzir sua dívida.

O presidente do Banco central Europeu, Jean Claude Trichet, disse que os europeus estão no epicentro de um problema global de dívida pública que envolve inclusive os Estados Unidos.

O presidente americano, Barack Obama, está tentando conseguir um acordo com o Partido Republicano para aprovar um orçamento que reduza a dívida pública americana.

Os republicanos não aceitam propostas de aumento de impostos, já os democratas desaprovam cortes em programas e serviços públicos de saúde e assistência social. Nesta terça-feira, políticos de ambos os partidos encontram-se com Obama pelo terceiro dia consecutivo para discutir a questão.

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