Lagarde aponta chinês para cargo-chave no FMI

Lagarde, na sede do FMI, em Washington. Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption O Brasil só apoiou Lagarde após a nova diretora-gerente prometer continuar com as reformas no FMI

A nova diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, indicou nesta terça-feira o economista chinês Min Zhu para o cargo de vice-diretor-gerente da instituição.

O ato foi interpretado como uma abertura de espaço aos emergentes - em especial à China - no fundo, tradicionalmente controlado pelas economias desenvolvidas.

Min Zhu é a primeira pessoa a ocupar o cargo, recém-criado pela nova diretora do fundo. O número dois do FMI, no entanto, continuará a ser um americano, o conselheiro da Casa Branca David Lipton, que substitui John Lipsky na função de primeiro-vice-diretor-gerente.

A criação do cargo e a nomeação de Min Zhu é vista como uma resposta de Lagarde à influência crescente das economias emergentes, sobretudo a China, que demandam maior espaço na instituição.

Na sua primeira entrevista coletiva, na última semana, Lagarde ressaltou que "a governança e as quotas (do fundo) precisam ser reajustadas".

"O mundo vai continuar a mudar", disse Lagarde. "Nós temos essas placas tectônicas que estão se movendo no momento, e isso precisa estar refletido na composição da governança e do emprego no fundo."

Países emergentes, entre eles o Brasil, vêm pressionando por reformas, como a redistribuição de cotas, que reflitam o papel de maior destaque dessas economias no atual cenário global. Também querem que o FMI quebre a tradição de eleger sempre um europeu para o cargo principal.

O Brasil só apoiou Lagarde após ela demonstrar disposição em continuar a reformar o FMI.

Min Zhu

O economista Min Zhu foi executivo do Banco Popular da China (o BC chinês).

Em nota, Lagarde disse que Zhu "vai desempenhar um papel importante" na administração "dos desafios" que vêm pela frente, assim como "fortalecer o entendimento do fundo sobre a Ásia e os mercados emergentes em geral".

Já o número dois o fundo, Lipton, atuava até o momento como Assistente Especial do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

As indicações ainda precisam ser aprovadas pelo Conselho de Administração do FMI.

Lagarde, que é ex-ministra das Finanças da França, assumiu o cargo após a renúncia do também francês Dominique Strauss-Khan, que chegou a ser preso em Nova York acusado de abuso sexual contra uma funcionária de um hotel. Ele foi solto após a Promotoria americana reconhecer que a camareira pode ter mentido.

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