Mais um executivo pede demissão de grupo envolvido em escutas ilegais

Rupert Murdoch. Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Murdoch disse, em comunicado, que ele e seu ex-funcionário estiveram em uma 'jornada marcante'

Um dos mais altos executivos do grupo News Corporation, o angloamericano Les Hinton deixou seu cargo nesta sexta-feira, segundo informou o jornal Wall Street Journal, veículo do qual era responsável editorial.

Hinton era executivo-chefe do grupo de mídia Dow Jones, que pertence à News Corporation. Ele é o mais antigo funcionário a deixar o conglomerado na atual crise, gerada por acusações de escutas ilegais na Grã-Bretanha.

Nascido na Grã-Bretanha, mas cidadão americano desde os anos 1980, Hinton chefiou a editora News International (subsidiária da News Corporation) de 1995 a 2007, período no qual o tabloide News of the World, pertencente à editora, supostamente realizou grampos ilegais de telefones para obter notícias exclusivas.

Mais cedo nesta sexta-feira, a executiva-chefe da editora News International, Rebekah Brooks, deixou seu cargo devido ao escândalo.

Início na adolescência

Hinton trabalhou para a News Corporation por 52 anos. A sua trajetória no grupo teve início na adolescência, quando tornou-se repórter do jornal australiano Adelaide News, pertencente a Rupert Murdoch - o hoje bilionário dono do conglomerado.

"Eu observei com tristeza em Nova York o desenvolvimento da história sobre o News of the World", disse Hinton por meio de um comunicado.

"O fato de que eu ignorei o que aparentemente ocorreu é irrelevante, e nas circunstâncias, eu acho que o certo para mim é me demitir da News Corporation e pedir desculpas àqueles atingidos pelas ações do News of the World."

Murdoch determinou na semana passada o fechamento do tabloide, o mais vendido da Grã-Bretanha aos domingos, em resposta ao escândalo das escutas telefônicas.

Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

Leia mais: Ex-editora de tabloide envolvido em escândalo de grampos se demite

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Image caption Murdoch disse, em comunicado, que ele e seu ex-funcionário estiveram em uma 'jornada marcante'

‘Fim inesperado’

Em resposta à demissão de Hinton, Murdoch disse, em um comunicado, que ele e seu ex-funcionário estiveram em uma "jornada marcante por mais de 52 anos".

"Que este caminho tenha tido um fim inesperado, profissionalmente, mas não pessoalmente, é motivo de muita tristeza para mim", disse o dono da News Corporation.

"Eu vivamente me lembro de um jovem entusiasmado nos escritórios do meu primeiro jornal em Adelaide, onde Les se incorporou à empresa como um rapaz de 15 anos e teve a tarefa um tanto não invejável de me comprar sanduíches para o almoço", afirmou.

"Deixe-me enfatizar um ponto - a News Corporation não é Rupert Murdoch", acrescenta o comunicado. "É a criatividade e o esforço coletivos de milhares de pessoas ao redor do mundo, e poucos indivíduos deram mais para esta empresa do que Les Hinton."

Mais cedo, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que a demissão de Rebekah Brooks, que foi editora do News of the World entre 2000 e 2003, foi "a decisão certa".

Ainda nesta sexta-feira, Murdoch pediu desculpas, em um encontro privado, aos pais da menina Milly Dowler. O News of the World é acusado de fazer escutas ilegais no celular da garota, morta em 2002.

Leia mais na BBC Brasil: Murdoch pede desculpas a família de menina desaparecida

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