Murdoch é atacado por manifestante ao depor no Parlamento

Homem tenta acertar rosto de Rupert Murdoch com espuma de barbear (AFP/Getty) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Mulher de Rupert Murdoch, Wendi, se levantou para defender o magnata

O magnata da mídia Rupert Murdoch foi atacado com espuma de barbear enquanto depunha no Parlamento britânico nesta terça-feira.

O dono da News Corporation foi voluntariamente ao Parlamento para dar explicações sobre o escândalo das escutas telefônicas ilegais, que resultaram no fechamento do tabloide News of the World, no início do mês.

A sessão, realizada em uma comissão do Parlamento, foi interrompida por 15 minutos depois que um homem presente na sala jogou um prato de papel com espuma de barbear, no formato de uma torta, contra o magnata.

No momento do ataque, um grupo de pessoas se levantou para defender Murdoch, incluindo a mulher do magnata, Wendi.

O homem foi detido pela polícia e acabou identificado por meio de sua conta no serviço de microblogging Twitter como "Jonnie Marbles".

O responsável pelo ataque se descreve como "ativista e comediante" em seu perfil, e publicou uma mensagem no Twitter pouco antes do incidente.

"O que faço agora é algo muito melhor do que já fiz antes", escreveu.

O homem teria gritado "seu milionário malvado" quando se aproximou de Murdoch durante o depoimento do magnata, e depois tentou atirar o prato de papel com espuma de barbear.

Várias pessoas além do responsável pelo ataque foram retiradas da sala onde estava ocorrendo o depoimento. Muitos não puderam voltar ao local.

Depoimento

Quando o depoimento foi retomado, Rupert Murdoch não usava mais seu paletó.

Segundo o repórter da BBC Nick Robinson, Murdoch permaneceu calmo, mas seu filho, James, que estava sentado ao seu lado no momento do ataque, parecia irritado devido ao incidente.

James Murdoch afirmou que estava irritado pelo fato de que os seguranças do local não conseguiram impedir o ataque a seu pai.

Durante a audiência, o magnata australiano, que tem cidadania americana, negou conhecer a prática de escutas telefônicas no jornal News of the World.

O escândalo resultou no fechamento do tabloide, que era mais lido aos domingos na Grã-Bretanha, com 2,8 milhões de exemplares vendidos a cada semana.

Murdoch reconheceu, no entanto, que o jornal traiu a "confiança dos leitores".

O estopim do escândalo foi a revelação, pelo jornal The Guardian, que o News of the World havia contratado um detetive para grampear o celular da adolescente Milly Dowler, desaparecida em 2002, em busca de informações exclusivas.

A manipulação da caixa postal do telefone, que teve mensagens apagadas pelo detetive, fez a polícia e a família de menina acreditarem que ela continuava viva. Seu corpo foi encontrado depois.

Revelações posteriores indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido alvo das escutas.

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