Cameron enfrenta perguntas de Parlamento sobre escândalo

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Image caption David Cameron durante pronunciamento no Parlamento

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse nesta quarta-feira ao Parlamento britânico que se desculpará se for comprovado o envolvimento de seu ex-porta-voz Andy Coulson no escândalo dos grampos que assola o país.

Em uma sessão extraordinária no Parlamento, Cameron lamentou o "furor" que o caso está gerando e disse que, se soubesse o que sabe hoje, não teria contratado o ex-editor do tabloide News of the World como seu assessor direto.

"Vivendo é que se aprende. Acreditem, eu aprendi", disse Cameron, que indicou, entretanto, que Coulson é "inocente até que se prove culpado".

O tabloide é acusado de grampear ilegalmente os telefones de milhares de personalidades e de pagar propina à polícia para obter informações. Por causa das denúncias, Coulson deixou o governo no início do ano.

Nos últimos dias, as denúncias levaram à demissão também de altos executivos do conglomerado de mídia do empresário Rupert Murdoch, que detém o News of the World, e oficiais da alta hierarquia da polícia londrina, incluindo o seu número um, o comissário Paul Stephenson.

Cameron admitiu que o caso "arranhou a confiança das pessoas na imprensa e na legalidade do que fazem, na polícia e na sua capacidade de investigar, e nos políticos e sua capacidade de lidar com os problemas" e por isso será objeto de uma investigação "robusta".

alando depois das declarações de Cameron, o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, disse que as explicações do primeiro-ministro “não foram suficientes”.

Teste

Analistas estão considerando esta sessão no Parlamento o maior teste político de Cameron, que está na defensiva desde que a crise dos grampos estourou, há três semanas.

O primeiro-ministro teve de encurtar uma viagem à África para comparecer à sessão extraordinária do Parlamento - que adiou o início de seu recesso, marcado para esta quarta-feira.

Antes do início da sessão, um deputado indicou que o Palácio de Buckingham alertou Cameron sobre as más credenciais de Coulson. A história foi rejeitada pelo Gabinete.

David Cameron disse que aceitou "mudanças significativas" em uma investigação que está sendo conduzida por um juiz.

Além dos jornais, o inquérito investigará se há responsabilidades individuais na polícia, na mídia em geral e entre a classe política.

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