Líder republicano se retira de negociação com Casa Branca sobre dívida

John Boehner, republicano, presidente da Câmara (Getty) Direito de imagem Getty
Image caption Republicanos, como Boehner, discordam da Casa Branca quanto a aumento de impostos

O líder da Câmara dos Representantes (deputados federais) dos Estados Unidos, o republicano John Boehner, disse nesta sexta-feira ao presidente Barack Obama que está se retirando das negociações com a Casa Branca sobre um acordo que permita elevar o teto da dívida pública do país.

A decisão do líder republicano foi anunciada pelo próprio Obama, em uma entrevista coletiva convocada às pressas no final da tarde.

O presidente disse ter recebido a notícia por meio de um telefonema de Boehner e afirmou que convocou o republicano e os outros líderes dos dois partidos na Câmara e no Senado para uma reunião na manhã de sábado, na tentativa de encontrar uma solução para o impasse.

Segundo o governo americano, caso o Congresso não autorize a elevação do teto da dívida - atualmente em US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) - até 2 de agosto, os Estados Unidos terão de parar de cumprir seus compromissos financeiros.

Esta sexta-feira marcava o prazo final estabelecido por Obama anteriormente para que um acordo fosse fechado e pudesse tramitar no Congresso e ser aprovado a tempo de evitar o calote.

Acordo

Ao comentar a decisão de Boehner, Obama disse que o republicano estava rejeitando um "acordo extraordinariamente justo". "É difícil entender por que o líder Boehner se retiraria desse tipo de acordo", afirmou o presidente.

Boehner afirmou que pretende a partir de agora iniciar negociações com os líderes no Senado para tentar chegar a um consenso.

O impasse entre democratas e republicanos se arrasta há meses. Os republicanos, que controlam a Câmara, exigem que o acordo para elevar o teto da dívida seja vinculado a um pacote de cortes de gastos para reduzir o deficit no orçamento, calculado em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 2,3 trilhões) para o ano fiscal que termina em setembro.

Há divergências entre os dois partidos sobre a profundidade dos cortes e que programas devem ser afetados.

Um dos principais pontos de discórdia se refere ao pagamento de impostos. Obama quer que o pacote inclua o fim dos cortes de impostos concedidos à camada mais rica da população ainda durante o governo de seu antecessor, George W. Bush.

Os republicanos se recusam a aprovar qualquer medida que inclua aumento de impostos. A insistência dos democratas em aumentar impostos teria levado o líder da Câmara a se retirar das negociações com a Casa Branca.

Antes da decisão de Boehner, o Senado (controlado pelos democratas) rejeitou uma proposta aprovada pela Câmara durante a semana que incluía cortes imediatos em programas sociais do governo e limitava gastos futuros a menos de 20% do PIB (Produto Interno Bruto), além de condicionar a elevação do teto da dívida à aprovação de uma emenda constitucional com novas regras de equilíbrio orçamentário.

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