Filha de engenheiro morto no Peru diz não acreditar em hipotermia

Amazônia peruana. BBC
Image caption A família não acredita em hipotermia porque a região onde foram encontrados os engenheiros é quente

A filha de um dos engenheiros brasileiros encontrados mortos no Peru nesta quarta-feira descarta a versão de que eles tenham morrido por hipotermia.

Para Júlia Torella Guedes, filha de Mário Gramani Guedes, o pai e o colega, Mário Augusto Soares Bittencourt, podem ter sido vítimas de um conflito local envolvendo camponeses.

Os corpos de Guedes e Bittencourt foram encontrados em uma mata próximo à cidade de Bagua Grande, na Amazônia peruana.

Segundo a polícia peruana, os corpos foram encontrados sem sinais de violência, o que faz os investigadores locais trabalharem com a hipótese de morte por hipotermia, causada pelo frio ou pela altitude, de acordo com o Itamaraty.

Júlia Torella Guedes, no entanto, disse à BBC Brasil que a família não acredita nesta versão.

"As duas famílias têm certeza de que eles não morreram por hipotermia. Os dois eram muito experientes e não era a primeira vez que faziam serviço na mata. Além de não serem amadores, não fazia frio, porque a região é perto da linha do Equador. Nem a empresa (Leme Engenharia) acredita", diz.

A Leme Engenharia preferiu não se pronunciar sobre o tema, argumentando que aguarda o resultado das investigações.

Júlia afirma que os dois estavam em uma área de conflito, onde as comunidades locais se opõem à construção da hidrelétrica, para a qual ambos faziam estudos prévios.

"A gente acha que eles foram expostos a uma situação de perigo, que não cabia a eles. Caíram de paraquedas. Não acho que a empresa daqui mandaria dois funcionários antigos para uma área perigosa, mas eles prestavam serviços para uma empresa peruana", diz Júlia.

Imprensa peruana

A imprensa peruana menciona a possível morte por hipotermia, mas também levanta a hipótese de que os dois brasileiros tenham sido vítimas de conflito com camponeses locais, contrários à obra.

Segundo o jornal El Comércio, circulou na região a notícia "de que eles haviam sido assassinados por camponeses”. “Nas consultas feitas meses atrás, estes não estavam de acordo com a hidrelétrica", diz o diário.

O site da rádio peruana RPP e o jornal Correo também citam a hipótese de assassinato.

O Itamaraty deslocou um diplomata para acompanhar o caso.

Os corpos dos engenheiros passaram por autópsia, mas os resultados ainda não foram divulgados.

A Leme Engenharia disse que está prestando todo o apoio material e psicológico à família das vítimas.

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