Plano republicano contra o deficit emperra no Congresso

O presidente da Câmara dos Representantes, republicano John Boehner (Getty) Direito de imagem Getty
Image caption Projeto patrocinado por Boehner enfrentou resistência dentro da ala conservadora do partido

Um projeto republicano para elevar o teto da dívida dos EUA e cortar gastos orçamentários emperrou na Câmara dos Representantes (deputados federais) na noite desta quinta-feira, em meio a divergências entre os próprios republicanos.

O presidente da Casa e patrocinador do projeto, John Boehner, tentou, com outros líderes republicanos, convencer os legisladores mais conservadores a apoiar a proposta, para tentar votá-la ainda nesta quinta.

Mas a votação, que estava prevista para as 18h locais, acabou adiada, informou nesta noite o representante republicano Kevin McCarthy. O tema pode voltar ao Plenário nesta sexta.

Tudo indica que o motivo é que a liderança republicana percebeu que não teria votos suficientes para aprovar o projeto.

No entanto, mesmo que acabe sendo aprovado, o plano certamente enfrentará resistência no Senado – onde os democratas são maioria – e na Casa Branca, que indicou que pretende vetá-lo.

A indefinição desta quinta é mais uma mostra do impasse político nos EUA quanto ao escopo dos cortes orçamentários e o teto da dívida pública - de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,3 trilhões), limite atingido em maio.

O teto do endividamento público preocupa porque, caso ele não seja elevado pelo Congresso até a próxima quarta-feira, os EUA não conseguirão cumprir com parte de seus compromissos financeiros, arriscando uma moratória que poderia ter impactos na economia mundial.

Impasse

O projeto defendido por Boehner inclui cortes no orçamento, impõe limites em gastos futuros e aumenta em US$ 1 trilhão o teto da dívida pública dos EUA – o que não seria suficiente para durar até as eleições de 2012.

Mas muitos republicanos conservadores, entre eles membros do grupo Tea Party, creem que o projeto não produz cortes orçamentários suficientes. Alguns até mesmo rejeitam a elevação do teto da dívida.

Já os democratas pedem uma elevação maior do teto e querem que cortes orçamentários sejam somados a aumentos nos impostos para a parcela mais rica da população – ideia que enfrenta rejeição entre os republicanos.

O presidente Barack Obama apoia o projeto do senador democrata Harry Reid, que prevê US$ 2,2 trilhões em cortes e o aumento do teto da dívida em US$ 2,4 trilhões.

Mas a proposta tem poucas chances de passar na Câmara, sob comando da oposição.

Enquanto o impasse prossegue, a diretora-chefe do FMI (Fundo Monetário Internacional), Christine Lagarde, advertiu que, caso o teto da dívida dos EUA não seja elevado a tempo, a moeda americana deverá sofrer o impacto.

"Uma das consequências pode ser seu declínio como moeda de reserva e uma quebra de confiança das pessoas no dólar", disse.

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