Líder militar de rebeldes líbios foi 'morto por milícia islâmica'

Enterro do general Younes, em Bengazi. Direito de imagem Reuters
Image caption Rebeldes dizem que milicia ligada à oposição matou o general por motivos desconhecidos

A liderança rebelde da Líbia diz que membros de uma milícia islâmica ligada à oposição são os responsáveis pela morte do líder militar dos rebeldes, general Abdel Fattah Younes.

O corpo de Younes foi encontrado na última sexta-feira, junto com o de dois de seus assessores, nos arredores de Bengazi.

Neste sábado, o ministro de Finanças e Petróleo dos rebeldes, Ali Tarhouni, afirmou que o general foi morto, na última quinta-feira, por guerrilheiros ligados à Brigada Obaida Ibn Jarrah, um grupo islâmico.

O general - ex-ministro do Interior que ocupou um lugar-chave no regime do coronel Muamar Khadafi desde o golpe de 1969 - desertou e se juntou aos rebeldes no começo da revolta popular líbia, em fevereiro.

'Tapa na cara'

Tarhouni disse a repórteres em Bengazi que um líder da milícia islâmica deu informações aos rebeldes sobre as circunstâncias da morte de Younes.

Ele afirmou que o general e seus assessores foram mortos a tiros depois de serem convocados para um interrogatório perante um comitê que investigava sua lealdade à oposição.

No entanto, o ministro disse que o motivo dos assassinatos ainda está sendo investigado.

O governo do coronel Muamar Khadafi disse que os assassinatos comprovam que os rebeldes não são capazes de governar a Líbia.

O porta-voz do governo, Moussa Ibrahim, disse que é "um tapa na cara dos britânicos (o fato de) que o conselho(Conselho Nacional de Transição, a coalizão rebelde) que eles reconheceram não tenha conseguido proteger seu próprio comandante militar).

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Image caption Segundo analistas, o assassinato levanta suspeitas sobre a possibilidade de confiar nos rebeldes

Ibrahim disse ainda que Younes foi morto pela Al-Qaeda, repetindo a afirmação de que o grupo é a força mais poderosa dentro do movimento rebelde.

"Com estas ações, a Al-Qaeda quer marcar sua presenã e sua influência na região."

"Os outros membros do Conselho Nacional de Transição sabiam sobre isso, mas não puderam reagir porque tem medo da Al-Qaeda", afirmou.

O analista da situação do Oriente Médio Shashank Joshi disse que a maior preocupação criada pelo incidente não é que o Conselho Nacional de Transição se fragmente antes da queda de Trípoli, mas, sim, que isso aconteça depois do fim do governo de Khadafi.

O correspondente da BBC em Misrata, Ian Pannell, diz que a morte do general Younes vai alimentar as suspeitas internacionais de que os rebeldes não merecem confiança.

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