Acordo nos EUA anima bolsas, mas enfrenta críticas

O Capitólio, onde será votado o acordo nesta segunda (Getty) Direito de imagem Getty
Image caption Projeto deverá enfrentar resistência maior na Câmara do que no Senado

O Congresso dos EUA se prepara para votar, na tarde desta segunda-feira, um acordo bipartidário para aumentar o teto da dívida pública e cortar o orçamento, o que foi recebido com certo alívio pelos mercados financeiros pelo mundo, mas é alvo de críticas e obstáculos por parte dos próprios legisladores americanos.

O acordo, anunciado pelo presidente Barack Obama na noite de domingo, visa evitar um calote sem precedentes dos EUA. Ele prevê a elevação do teto da dívida pública em duas etapas, em até US$ 2,4 trilhões, e cortes orçamentários em quantia semelhante ao longo de dez anos, a serem determinados por uma comissão bipartidária.

Mercados europeus e asiáticos tiveram altas nesta segunda-feira, em reação ao anúncio do acordo. O índice Dow Jones, em Nova York, subiu 1% na abertura do pregão, seguindo altas nas bolsas de Londres, Paris e Tóquio (que fechou em alta de 1,3%).

Ao mesmo tempo, tanto democratas como republicanos teceram críticas ao acordo e podem impor obstáculos para sua aprovação, no Senado e, principalmente, na Câmara de Representantes (deputados federais).

Republicanos conservadores, em especial os do grupo Tea Party, se recusam a aceitar aumentos no teto da dívida e exigem cortes imediatos no orçamento.

Já democratas mais liberais rejeitam cortes em programas sociais, benefícios e assistência de saúde aos idosos e às camadas mais pobres.

Os democratas também vinham defendendo aumentos de impostos para a população mais rica, item não incluído no plano a ser votado.

Disputa

O acordo, que precisa passar nas duas Casas do Congresso para se tornar lei, deve enfrentar resistência maior na Câmara, onde os republicanos são maioria.

No Senado, analistas dizem que há mais possibilidade de consenso.

O debate sobre o teto da dívida e os cortes orçamentários vem se arrastando há meses nos EUA, com um impasse entre republicanos e democratas.

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Image caption Presidente e líder da oposição disseram que acordo não é ideal, mas o apoiam

A falta de um acordo sobre o aumento do limite de endividamento levaria os EUA à moratória a partir desta terça-feira, quando o país não teria mais como arcar com seus compromissos financeiros além do teto de US$ 14,3 trilhões, atingido em maio.

Acredita-se que os efeitos desse calote seriam duramente sentidos pelo mercado financeiro global.

Apoio

Líderes republicanos e democratas passaram a manhã tentando angariar apoio ao acordo entre seus correligionários.

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Image caption Mercado financeiro reagiu com alívio ao anúncio do acordo

Em seu discurso no domingo, Obama disse que o acordo “não é o que eu preferia”, alegando que queria fazer cortes por intermédio de uma comissão bipartidária, mas agradeceu os congressistas por terem chegado a um meio-termo.

As recomendações dessa comissão também serão colocadas em votação, disse Obama.

O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, que ao longo dos últimos meses de negociação travou duros embates com Obama, disse que “este não é o melhor acordo do mundo. Mas mostra o quanto mudamos os termos do debate” em Washington.

Ele pediu que o plano seja votado “o mais rápido possível”.

A correspondente da BBC News em Washington Jane O’Brien explica que, ainda que o acordo não agrade nenhum dos lados, os líderes dos dois partidos acreditam ter uma estrutura que pode ser aceita por seus correligionários.

A nota de crédito dos EUA, porém, ainda tem chance de ser rebaixada pelas agências de classificação de risco, mas pelo menos os EUA estão mais perto de evitar a humilhação de não conseguir pagar parte de suas dívidas a partir desta terça, explica O’Brien.