Foxconn planeja empregar 1 milhão de robôs até 2014

Presidente Dilma e o presidente chinês Hu Jintao - Crédito: Roberto Stuckert Filho/Agência Brasil Direito de imagem BBC World Service
Image caption A promessa de acordo foi feita durante viagem de Dilma à China

O fundador e presidente da gigante taiwanesa Foxconn, Terry Gou, anunciou que a empresa irá fabricar 1 mihão de robôs para substituir empregados em suas fábricas, relatou a agência oficial de notícias chinesa Xinhua.

A estimativa é de que 50% da produção seja mecanizada até o final de 2014.

A Foxconn conta hoje com cerca de 10 mil robôs, que, ao lado de seus atuais 1,2 milhão de funcionários, operam máquinas de soldagem, borrifo de químicos e montagem. As máquinas que serão agregadas ao chão de fábrica manterão as mesmas funções.

A maior montadora de componentes para Apple e Nokia planeja ter 300 mil robôs até o ano que vem e 1 milhão de máquinas até 2014. A motivação seria o corte em despesas operacionais, devido aos crescentes salários dos trabalhadores, e o aumento da eficiência na produção.

Mais de 1 milhão dos funcionários da Foxconn trabalham na China continental, nas fábricas que a gigante mantém em Shenzhen e Sichuan.

Em comunicado enviado à BBC Brasil, a Foxconn declarou que o investimento é destinado ao desenvolvimento de pesquisa e tecnologia pela empresa, e que será aplicado única e exclusivamente às operações que a companhia mantém na China continental.

A questão da mão-de-obra utilizada pela empresa é caso de notícia há mais de um ano, quando foi registrada uma série de suicídios de trabalhadores, em especial na fábrica localizada em Shenzhen.

Em um ano, foram 11 casos de funcionários que saltaram do alto dos prédios da empresa.

Segundo alguns analistas, as causas das mortes poderiam estar ligadas à longa jornada de trabalho, aos baixos salários e à falta de segurança nas linhas de montagem.

Foxconn no Brasil

Durante a viagem da presidente Dilma Rousseff à China, em abril, a empresa prometeu fazer investimentos da ordem de US$ 12 bilhões no Brasil.

O governo calcula que a empresa possa gerar até 100 mil empregos diretos e indiretos. A fábrica, que deverá produzir tablets e telas para o iPad, deve ter mão-de-obra majoritariamente brasileira.

Mas a discussão em torno dos trabalhadores contratados criou também impasse para o avanço do acordo de investimento.

De acordo com o comunicado enviado pela Foxconn à BBC Brasil, não houve avanços na possível cooperação com o Brasil.

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