Forças sírias retomam ataques a Hama após dia de violência

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Image caption Manifestantes levam ferido em ataque a hospital em Hama, durante ataques de domingo

Forças de segurança da Síria retomaram nesta segunda-feira ataques na cidade de Hama, no segundo dia consecutivo de repressão a protestos contra o governo de Bashar al-Assad.

Quatro pessoas teriam morrido em um bairro na região noroeste da cidade, segundo ativistas de direitos humanos.

Os ataques se seguem a um dos dias mais violentos desde o início dos protestos contra o governo em março. Segundo testemunhas e ativistas, ao menos 130 pessoas foram mortas no domingo por forças sírias, dezenas delas em Hama.

O correspondente da BBC em Beirute Jim Muir, disse que, apesar dos ataques, Hama ainda parece estar sob controle de seus próprios moradores, e não do governo.

Tanques e tropas que tentaram assumir o controle da cidade no domingo se retiraram para a periferia da cidade durante a noite, mas começaram a avançar novamente na manhã desta segunda-feira, de acordo com Muir.

A campanha do governo de Assad para tentar sufocar os protestos na Síria deixam o governo sob fortíssima pressão internacional, com condenações vindas de todos os lados.

Obama protesta

No domingo, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que as informações vindas da Síria eram "horríveis".

"Mais uma vez, o presidente (Bashar al-Assad) mostrou que é completamente incapaz e não quer atender às queixas do povo sírio", afirmou.

Obama disse ter ficado consternado e horrorizado com o uso de "violência e brutalidade contra seu próprio povo" por parte do governo sírio, e acrescentou que os EUA continuarão a trabalhar para isolar o governo de Assad.

A União Europeia (UE), por sua vez, afirmou que os ataques aos manifestantes não têm justificativa, e o governo da Itália pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para adotar uma posição firme contra a Síria.

Grã-Bretanha, França e Alemanha também condenaram a reação violenta do governo sírio.

O governo da Turquia, por sua vez, afirmou que o mundo muçulmano está profundamente decepcionado pela violência crescente no país.

Barricadas nas ruas

Segundo ativistas pelo menos 130 pessoas morreram ao redor do país no domingo, em meio à ofensiva do governo. Os confrontos foram mais violentos e deixaram mais mortos na cidade de Hama, que foi atacada por tanques logo ao amanhecer.

Segundo testemunhas, tanques dispararam contra civis em Hama - centro de alguns dos maiores protestos contra Assad. A cidade esteve cercada pelo Exército durante o último mês.

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Image caption Tanque em chamas em Hama

O governo informou que os soldados foram enviados no domingo à cidade para retirar barricadas colocadas nas ruas pelos manifestantes.

No começo da noite, ativistas em Hama disseram à BBC que a cidade estava calma e que os tanques tinham saído.

A maioria dos jornalistas estrangeiros teve a entrada e permanência no país proibidas, dificultando a verificação das informações.

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