Análise: Obama sai combativo da crise da dívida

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Image caption Presidente conseguiu irritar o Tea Party após acordo obtido para aumentar limite da dívida

O presidente americano, Barack Obama, saiu mais agressivo e combativo da crise que acabou com o acordo, aprovado nesta terça-feira pelo Senado americano, para a elevação da dívida dos Estados Unidos.

Obama foi humilhado e desviado de seu curso pela vitória republicana, que obrigou ele e seu partido a engolirem profundos cortes de gastos.

Mas ele usou seu curto discurso após a aprovação para insistir que o aumento de impostos deve ser parte de uma eventual solução.

É exatamente por isso que o Tea Party está resmungando sobre o que parecia uma vitória clara para eles.

Eles temem golpes baixos e, após um relatório produzido por uma comissão especial, eles vão ser obrigados a escolher entre aumento de impostos ou cortes na defesa.

Obama disse que o cortes não poderiam ser feitos tão abruptamente e que os gastos em educação e ciência devem prosseguir.

Ele pediu uma abordagem "justa" e "equilibrada": acabar com os incentivos fiscais para os ricos e as companhias de petróleo.

Isso foi como acenar a bandeira vermelha para um furioso touro republicano – e tinha mesmo a intenção de ser exatamente isso. Quanto mais o Tea Party ferve, mais o partido de Obama tem a sensação de que o acordo não foi uma derrota tão grande.

O presidente prometeu colocar a criação de empregos como prioridade, dizendo que o corte de gastos não era a única coisa que importava, e pediu que o Congresso chegasse a um acordo nos próximos meses sobre estender a isenção para a classe média, algo que os congressistas não colocaram no acordo.

O acordo foi um golpe duro para o presidente, mas ele reagiu de forma certeira, pelo menos em termos de retórica.

Foi a resposta certa, politicamente. No entanto, ninguém duvida que, quando estimulado, o presidente pode fazer um bom discurso.

Ainda resta dúvida se ele pode tornar a postura desafiadora de hoje em uma atitude duradoura e uma estratégia vitoriosa para a eleição presidencial de 2012.

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