Senado dos EUA põe fim a temor de calote

Imagem cedida pelo Senado mostra momento em que Cassa aprovou plano da dívida Direito de imagem AP
Image caption Senado aprovou aumento do teto da dívida e cortes orçamentários por 74 votos a 26

O Senado americano conseguiu evitar a declaração de moratória dos EUA nesta terça-feira, ao aprovar um acordo bipartidário que eleva o teto da dívida pública do país e corta gastos orçamentários.

O acordo, apesar de desagradar às alas de ambos os partidos, foi aprovado pela Câmara dos Representantes (deputados federais, de maioria republicana) na véspera. No Senado, de maioria democrata, foi aprovado por 74 votos a 26.

O presidente Barack Obama sancionou a lei também nesta terça, poucas horas antes de vencer o prazo para os EUA elevarem o teto de seu endividamento – caso contrário, não teriam como honrar compromissos financeiros e teriam de dar o calote no pagamento de alguns títulos, o que poderia desencadear distúrbios nos mercados globais.

O acordo se segue a meses de impasse entre republicanos e democratas, que discordam tanto do limite de endividamento quanto do escopo dos cortes orçamentários.

A medida aprovada prevê cortes estimados em cerca de US$ 2 trilhões ao longo de dez anos - quantia equivalente ao PIB brasileiro -, além de uma elevação no teto do endividamento em montante semelhante (a ser somado ao teto atual, de US$ 14,3 trilhões), de forma escalonada e sob a tutela do Congresso. Um comitê bipartidário vai ficar encarregado de determinar áreas que deverão sofrer cortes de gastos.

Calcula-se que o aumento no limite de endividamento dará ao Tesouro dos EUA poder para obter empréstimos até o final de 2012 – evitando que Obama tenha de repetir o desgastante debate da dívida com o Congresso ao longo da campanha eleitoral do ano que vem, quando concorrerá à reeleição.

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Image caption Presidente disse que aprovação é 'fundamental' para saúde da economia americana

Ainda assim, o presidente e seu partido tiveram de fazer grandes concessões para obter a aprovação do acordo por parte dos republicanos. Uma delas é a manutenção de isenção de impostos à parcela mais rica dos americanos, que o presidente pretendia eliminar.

A aprovação do plano da dívida fez com que a agência de classificação de risco Fitch mantivesse a nota americana em AAA – a mais alta – e apontasse que o risco de moratória do país é “baixo”.

‘Saúde’

Logo após a aprovação do acordo no Senado, o presidente Barack Obama disse que a medida é fundamental “para a saúde de nossa economia no longo prazo”.

Em um pronunciamento na Casa Branca, Obama disse que os cortes definidos no acordo não devem atingir programas sociais, como o plano de saúde do governo Medicare, caro aos democratas. Segundo o presidente, não se pode “equilibrar o orçamento” às custas dos mais pobres.

Para Obama, a demora na recuperação econômica dos Estados Unidos também é consequência de fatores externos.

“Nos últimos meses, nossa economia teve de absorver o terremoto no Japão, a crise na Europa, a Primavera Árabe, o aumento nos preços do petróleo. Tudo isso são coisas que não podemos controlar”, disse.

Obama ainda ressaltou a necessidade de implementar obras de infraestrutura no país, a fim de criar empregos, sobretudo no setor de construção civil, um dos mais afetados pela crise financeira que teve início no setor imobiliário.

Após semanas de disputas políticas para a aprovação do acordo para elevação da dívida, Obama pediu "responsabilidade" à classe política americana.

“Ambos os partidos compartilham poder em Washington. Ambos os partidos precisam assumir responsabilidades na recuperação da economia”, disse.

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