Em meio a crise na zona do euro, Berlusconi antecipa plano de cortes

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Image caption Berlusconi disse que ministros das finanças do G-8 vão se reunir para discutir contágio da crise

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, anunciou nesta sexta-feira que vai acelerar um pacote de medidas de austeridade para conter o aprofundamento da crise no país e na zona do euro.

Com a iniciativa, que vem depois de uma semana de turbulência nos mercados financeiros, a Itália pretende equilibrar o orçamento até 2013, um ano antes do planejado inicialmente.

O alto endividamento colocou a Itália no centro das preocupações sobre a estabilidade econômica da zona do euro.

Berlusconi disse ter dialogado com líderes mundiais, e que uma reunião de ministros das finanças do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia) será convocada em alguns dias.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, também tentou tranquilizar os mercados globais, dizendo que "as coisas vão melhorar".

"Vamos atravessar isso juntos. As coisas vão melhorar", disse ele, que comentou os dados divulgados nesta sexta-feira que mostram que foram criados 117 mil empregos no país, reduzindo o desemprego de 9,2% para 9,1%.

"Temos que fazer ainda melhor que isso", disse o presidente americano.

O mercado de ações mostrou sinais de recuperação com a divulgação dos dados americanos - o índice Dow Jones fechou em alta de 0,54%.

A Bovespa também fechou com leve alta, de 0,26%.

Na Europa, no entanto, índice FSTE de Londres fechou em baixa de 2,72% e o Dax de Frankfurt em 2,78%.

Mais cedo, as bolsas asiáticas fecharam em forte queda: no Japão, as perdas do principal índice foram de 3,4%. A bolsa da Coreia do Sul caiu 3,7%, a da Austrália fechou em baixa de 3,9% e Hong Kong teve queda de 4,4%.

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Image caption As bolsas reagiram à crise na zona do euro e a dúvidas sobre recuperação dos EUA

Europa

Nesta semana foram registradas quedas em vários mercados em meio a uma crise de confiança sobre a resposta da zona do euro para a crise e a lentidão da recuperação das economias europeias e americana.

"Temor é a palavra-chave", disse à BBC David Cohen, da consultoria Action Economics.

"As pessoas estavam cautelosamente otimistas de que conseguiríamos voltar aos trilhos no segundo semestre, mas com a recuperação dos Estados Unidos estancando e as possíveis repercussões disto para a economia global, as bolsas têm operado sob pressão já há algum tempo."

Mais cedo, na sexta-feira, o comissário de assuntos econômicos e monetários da UE, Olli Rehn, disse que as quedas seriam "incompreensíveis" e "não justificada pelos princípios da economia", especialmente na Itália e Espanha, os últimos focos de preocupação dos investidores

"A vontade política de defender o euro não pode ser subestimada", disse ele, que ressaltou que as medidas para melhorar o escopo e a eficiência do fundo de resgate de 440 bilhões de euros, o Fundo Europeu para Estabilidade Financeira, devem ser postas em vigor em setembro.

Na quinta-feira, Wall Street teve o pior dia em mais de dois anos. Foram registradada quedas nos preços do petróleo e até do ouro, metal que, em meio aos temores de uma nova recessão, havia se tornado um “porto seguro” para os investidores.

Ações de montadoras, firmas de commodities, mineradoras, bancos e negócios imobiliários não escaparam do clima negativo nos mercados.

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