Perda acumulada na Bovespa em 2011 supera a de bolsas internacionais

Transeunte passa diante do logo da Bovespa, em foto de quinta-feira (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Pelo peso de commodities, bolsa brasileira é muito impactada por mercado externo, diz economista

A queda acumulada da Bovespa ao longo de 2011 é bem maior do que a média dos mais importantes mercados financeiros globais e se aproxima do resultado observado na bolsa de valores da Grécia, país que vive uma aguda crise econômica, segundo avaliações feitas pela consultoria Tendências.

De janeiro até esta sexta-feira, a Tendências calculou em 23,6% a queda da bolsa brasileira. Após cair 5,72% na quinta-feira, seu menor nível desde novembro de 2008, a Bovespa reverteu a tendência e fechou o pregão em alta de 0,26% nesta sexta-feira, como 52.949 pontos.

No acumulado no ano, "é um nível próximo ao da Grécia (de -24,9%) e bem mais acentuado do que vemos nos mercados de EUA e Europa", disse à BBC Brasil Raphael Martello, economista da consultoria.

Para efeitos comparativos, o índice Dow Jones, dos EUA, acumulava perdas de 1,15% a menos de uma hora do seu fechamento; ao fim do pregão, a bolsa de Londres tinha perdas acumuladas de 11% e a de Hong Kong, 9%. Já a de Milão, na Itália, teve perdas maiores desde o início do ano: 20,6%.

Martello avalia que a queda mais acentuada da Bovespa se deve a uma combinação de fatores.

À aversão ao risco decorrente da conjuntura internacional soma-se o peso das commodities na bolsa brasileira – o que faz com que ela seja muito impactada por essa mesma conjuntura externa.

Acomodação e aperto monetário

Além disso, ele diz que, depois de resultados positivos obtidos em 2010, o mercado brasileiro iniciou este ano já preparado para uma acomodação e para o aperto monetário promovido pelo governo para conter a inflação.

Sendo assim, enquanto a bolsa brasileira já sofria quedas no primeiro semestre, as americanas e europeias ainda colhiam altas.

"De lá para cá, o cenário ficou mais difícil, mas (as bolsas estrangeiras) estavam com um patamar mais elevado (no primeiro semestre)" e por isso acumulam uma queda menor no ano, explica o economista.

Esse panorama deve se manter no curto prazo, pelo fato de o mercado estar se adaptando à perspectiva de um cenário de baixo crescimento da economia dos EUA.

A queda da Bovespa também superou, segundo a Tendências, a registrada por outros países da América Latina, como Chile (-17,5% no ano), Peru (-13,75%) e Argentina (-13%).