A cinco anos da Olimpíada, Rio lança empresa para coordenar projetos

Foto: Prefeitura do Rio Direito de imagem BBC World Service
Image caption Maria Silvia será 'prefeita da Olimpíada', segundo Paes (Foto: Prefeitura do Rio)

Para marcar os cinco anos que faltam para os Jogos Olímpicos do Rio, foi lançada nesta sexta-feira a Empresa Olímpica Municipal, que vai coordenar os projetos da prefeitura carioca ligados à Copa do Mundo de 2014 e aos jogos de 2016.

Para comandar a empresa, foi escolhida a ex-secretária da Fazenda do município Maria Silvia Bastos Marques. Segundo o prefeito do Rio, Eduardo Paes, ela será a "prefeita da Olimpíada".

Em cerimônia realizada no Palácio da Cidade, no bairro de Botafogo, Paes e o presidente do comitê organizador Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, fizeram um balanço dos preparativos para o evento.

A prefeitura enumerou os projetos já iniciados em transportes, infraestrutura e meio ambiente, destacando as obras em andamento para abrir dois dos quatro corredores expressos para ônibus articulados (BRTs) que serão construídos até o evento.

"Nós estamos adiantados na Olimpíada. Vamos entregar todas as obras com um ano de antecedência", disse. "Qualquer obra que for levar mais de três anos vai começar a ser executada até o fim deste ano."

O prefeito afirmou que o primeiro BRT, a TransOeste (que liga a Barra da Tijuca a Santa Cruz, na zona oeste), deve ser inaugurado em até nove meses.

Segundo ele, a primeira estrutura para o evento será entregue neste sábado, cinco anos antes do evento: o Parque dos Atletas, uma área de lazer para os atletas às margens da Lagoa de Jacarepaguá, na zona oeste.

Nuzman disse que o comitê está se esforçando para conter despesas e gastou 11% do que o orçamento previsto nos primeiros sete meses de 2011. De uma estimativa de R$ 42 milhões, o gasto real dos organizadores foi de R$ 37 milhões.

'Dama de Aço'

Paes destacou a experiência de Maria Silvia, que ganhou o apelido de 'Dama de Aço' ao presidir a Companhia Siderúrgica Nacional nos anos 1990. Em 1997, ela foi colocada pela revista Time entre os 12 executivos mais poderosos do mundo.

"A gente precisava de uma personalidade que pudesse entregar tudo o que tem que ser entregue, mas precisava também dessa cara de uma pessoa que se comunica bem, preza pela transparência, preza por cumprir prazos, tem conceitos privados. Isso é muito importante", disse o prefeito.

Segundo Maria Silvia, o órgão terá uma estrutura enxuta e cumprirá o papel de coordenar os projetos, e não executá-los, o que caberá às secretarias.

"O que me traz é exclusivamente a vontade de transformar essa cidade. Essa é a minha única agenda", disse.

A presidente da empresa diz que sua tarefa mais urgente é definir a matriz de responsabilidade dos jogos, detalhando no papel as atribuições das três esferas do poder e do comitê Rio 2016.

"Todos nós temos que saber de cor quais são as nossas responsabilidades. Já está tudo mapeado, mas temos que tornar isso uma coisa mais comunicada para que seja fácil para todos entenderem o que compete ao município, ao governo estadual, ao governo federal e ao comitê", afirmou.

Para Paes, este é o tema mais importante no momento. "No Brasil, a gente tem mania de não saber de quem é a responsabilidade. Isso é a alegria dos incompetentes e dos que não cumprem as suas funções (...). Ter essa matriz é um elemento fundamental de transparência e para todo mundo saber qual é o seu dever de casa."

Maria Silvia disse que vai se reunir "em breve" com o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcio Fortes, que também estava presente na solenidade. Nesta semana, Fortes afirmou à imprensa que sua meta era ter a matriz de responsabilidade definida até setembro.

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