BC europeu deve comprar títulos da Espanha e da Itália para acalmar bolsas

Símbolo do euro, na sede de BC europeu, em Frankfurt. AFP Direito de imagem AFP
Image caption O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, alertou para o fracasso dos governos ante a crise

O Banco Central Europeu diz que vai "implementar ativamente" um programa de compra de títulos de países da zona do euro, para evitar mais uma segunda-feira turbulenta no mercado financeiro. Embora não tenha citado países, o comunicado divulgado após a reunião deste domingo é endereçado à Espanha e à Itália.

As aquisições do BC europeu poderiam ajudar Roma e Madri a conter a especulação, além de baixar o custo da dívida italiana e espanhola, até que medidas adicionais para conter a crise sejam aprovadas na União Europeia.

Enquanto o comunicado do BC europeu era divulgado, a bolsa de Israel operava a –7% e a do Egito a -4%, uma mostra do que pode vir pela semana.

Representantes dos países do G7 também discutiram medidas para conter o avanço da crise, em uma teleconferência neste domingo.

As duas reuniões extraordinárias em um domingo ilustram o nível de preocupação das autoridades com a volatilidade das bolsas e a ameaça à recuperação da economia, ainda combalida pela crise de 2008.

Espanha e Itália

Embora o comunicado do BC europeu tenha citado “países da zona do euro”, Itália e Espanha deverão ser os principais beneficiados com as compras.

O custo da dívida dos dois países aumentou nesta última semana, o que pode piorar ainda mais a situação de endividamento. As autoridades europeias tentam evitar a necessidade de mais um resgate financeiro, depois dos pacotes para Irlanda, Portugal e os dois resgates da Grécia.

Horas antes, o presidente Nicolas Sarkozy, da França, e a chanceler Angela Merkel, da Alemanha, divulgaram comunicado expressando apoio às medidas da União Europeia para a contenção da crise. Os dois países são as maiores economias da zona do euro.

Nesta semana, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, anunciou a antecipação do ajuste orçamentário do país, com medidas que prevêem o equilíbrio das contas já em 2013, um ano antes do esperado.

A dívida da Itália equivale a 120% do seu PIB, um percentual apenas menor que o da Grécia. O crescimento italiano é também um dos mais vagarosos do continente.

Na semana passada, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, disse que as autoridades monetárias do bloco estão fracassando na tarefa de evitar que a crise da dívida se espalhe.

Estados Unidos

No sábado, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, admitiu que o país deve "melhorar" seu desempenho no combate à crise financeira e econômica e pediu união aos dois maiores partidos do país.

Sobre as negociações para o aumento do teto de dívida, aprovado às pressas nesta última semana no Congresso americano, Carney ressaltou que o acordo demorou muito para ser fechado e causou divisão na classe política do país.

O acordo prevê um corte de gastos na ordem de US$ 2,4 trilhões (R$ 3,7 trilhões) e uma elevação no teto da dívida na mesma proporção.

O temor de que os Estados Unidos poderiam estar caminhando para uma longa recessão, além do medo de contágio da crise da dívida soberana da zona do euro, que pode chegar à Espanha e à Itália, causaram turbulência nas bolsas internacionais, que registraram na última semana as maiores quedas desde o estouro da crise financeira, em 2008.

A China, o maior detentor mundial de títulos americanos, criticou o país por seu "vício de dívida".

Em um texto opinativo, a agência de notícias estatal Xinhua afirma que a China "tem todo o direito agora de exigir que os Estados Unidos lidem com o seu problema estrutural de dívida e garantam a segurança dos ativos em dólar da China".

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