Violência se espalha por Londres e explode em outras cidades britânicas

Atualizado em  8 de agosto, 2011 - 21:56 (Brasília) 00:56 GMT

Revolta popular provoca incêndios e saques em Londres

Confrontos foram registrados em diversos bairros londrinos, assim como na cidade de Birmingham.

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A violência que explodiu nesta segunda-feira pelo terceiro dia em Londres se intensificou durante a madrugada, atingindo várias áreas da capital britânica, além de outras cidades do país.

Grupos de jovens mascarados destruíram lojas e restaurantes e atearam fogo em carros, pontos de ônibus e até em delegacias em Londres, Birmingham, Liverpool e Manchester.

Incêndios atingiram prédios em vários bairros de Londres, inclusive na região central. Autoridades isolaram diversas áreas e retiraram os moradores dos locais mais ameaçados pelo fogo.

De acordo com a Polícia Metropolitana de Londres (conhecida como Scotland Yard), 225 pessoas já foram presas na capital, sendo que 36 já foram acusadas formalmente.

Na segunda-feira, pela primeira vez, distúrbios explodiram à luz do dia no bairro boêmio de Hackney (norte), e em Peckham e Lewisham (sul). Durante a madrugada, a violência chegou a Notting Hill, Clapham, Ealing, Camden e Hampstead.

A Polícia Metropolitana de Londres informa que, durante a madrugada, foram registrados saques e incêndios nos bairros londrinos de Hackney, Newham, Lewisham, Bethnal Green e Croydon.

Segundo a Scotland Yard, três policiais foram feridos em Hackney e dois em Bethnal Green, mas não há informações sobre manifestantes feridos.

Em Croydon, um homem de 26 anos de idade foi encontrado pela polícia à noite, dentro de um carro, com ferimentos causados por arma de fogo. O homem foi levado a um hospital no sul de Londres, onde está internado em estado grave.

Na cidade de Waltham Abbey, a leste de Londres, um centro de distribuição da Sony foi tomado pelas chamas, que atingiram vários metros de altura.

Distúrbios também foram registrados em Bristol, no sudoeste da Inglaterra, e em Leeds, no norte.

"A violência que nós temos visto é simplesmente indesculpável", disse a comandante da Scotland Yard, Christine Jones. "Pessoas comuns tiveram as suas vidas viradas de cabeça para baixo devido a esta brutalidade impensada."

A ministra do Interior britânica, Theresa May, condenou os distúrbios, chamando-os de "pura criminalidade", e disse que os responsáveis devem "encarar as consequências de suas ações".

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o prefeito de Londres, Boris Johnson, resolveram encurtar as suas férias e viajar rapidamente ao país devido aos confrontos.

Cameron anunciou que vai realizar uma reunião de emergência para avaliar os episódios dos últimos dias.

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Carro pega fogo em Hackney. Foto: Getty Images

Além de bairros londrinos, saques e destruição de lojas foram registrados em Birmingham

McDonald’s e Armani

Os protestos também chegaram a Birmingham, a segunda cidade mais populosa do país, onde pelo menos cem pessoas foram presas e dezenas acabaram hospitalizadas.

Grupos de jovens mascarados destruíram lojas e restaurantes na cidade, incluindo um restaurante da rede de fast food McDonald’s e uma boutique da grife Armani, além de atear fogo em carros e caixas de correio.

A polícia local disse ainda que uma delegacia no centro da cidade foi incendiada.

Além de Birmingham, no norte do país, foram registrados distúrbios nas cidades de Manchester e Liverpool, onde carros foram incendiados e manifestantes entraram em choque com a polícia.

Viaturas destruídas

Em Londres, durante o dia, os episódios mais violentos foram registrados nos bairros de Hackney, Lewisham, Peckham e Croydon.

A repórter da BBC Alix Kroeger acompanhou os distúrbios de Hackney e disse que partes do bairro foram isoladas pela polícia.

Viaturas tiveram seus vidros quebrados e centenas de policiais que foram deslocados para o local encontraram resistência por parte dos moradores, que usaram carros em chamas como barricadas.

Hackney

A polícia emviou uma grande quantidade de policiais para Hackney

Carros foram incendiados em Lewisham (no sudeste da cidade), enquanto manifestantes atearam fogo em um ônibus e em uma loja em Peckham (sul). As chamas se espalharam e atingiram apartamentos vizinhos.

Imagens aéreas também registraram diversos incêndios no bairro de Croydon, no norte de Londres. Ainda não há a confirmação oficial do número de feridos devido aos choques desta terça-feira.

O chefe interino da Scotland Yard, Tim Godwin, disse que a polícia irá prender todos os envolvidos nos episódios de violência e levá-los à Justiça. Segundo ele, serão usadas fotografias e vídeos de sistemas de segurança para verificar a identidade dos suspeitos.

Fim de semana

Os choques ocorrem após vários episódios de violência ocorridos na cidade durante as noites de sábado e domingo, nos quais mais de 200 pessoas foram detidas.

As revoltas que explodiram na noite de sábado no bairro de Tottenham se espalharam para outras regiões de Londres na noite de domingo, que foi marcada por saques e violência em vários pontos do norte de Londres, além de Brixton, no sul, e de Oxford Circus, no centro turístico da capital britânica.

Os incidentes começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, 29 anos.

Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro.

"O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente"

Andy Moore, repórter da BBC

Os policiais não divulgaram detalhes do suposto tiroteio. No sábado, manifestantes se reuniram para exigir respostas da polícia a respeito da ação.

Por volta das 20h (16h no horário de Brasília), um tumulto começou e a polícia foi acionada.

Alguns manifestantes jogaram bombas caseiras contra a polícia e alguns prédios. Um ônibus de dois andares foi incendiado. Um supermercado, uma loja de carpetes e outros prédios também pegaram fogo.

Em seguida, a violência começou a se espalhar para bairros vizinhos e depois para outras áreas da cidade.

"O que pode ter sido iniciado em Tottenham por jovens ressentidos com o que eles viam como perseguição policial se tornou algo de natureza bem diferente", disse o repórter da BBC Andy Moore.

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