Obama diz que EUA serão sempre um país 'AAA'

Presidente Barack Obama, dos Estados Unidos Direito de imagem AP
Image caption Obama disse que os problemas econômicos do país têm solução iminente

O presidente americano, Barack Obama, tentou passar uma mensagem de confiança aos americanos nesta segunda-feira, dizendo que os problemas econômicos do país “têm solução iminente”.

Durante seu discurso, Obama minimizou a posição da agência Standard & Poors, que na última sexta-feira a nota da dívida dos Estados Unidos, prolongando a turbulência no mercado financeiro, que começou a semana em baixa.

"Não precisamos de uma agência para nos dizer que temos de fazer. Os Estados Unidos sempre foram e sempre serão um país AAA", disse Obama, em referência à nota máxima de classificação.

Durante o pronunciamento, o índice Dow Jones, da bolsa de Nova York, operava em baixa de mais de 3%. Na Ásia e na Europa as bolsas também fecharam em baixa. Na Bovespa, o pregão chegou a operar a menos de 5%.

Obama reafirmou a proposta democrata para a taxação dos mais ricos como meio de redução do déficit, que não foi aceita no plano acordado com os republicanos na última semana, durante as negociações para a elevação do teto da dívida.

Na última semana, o Congresso americano aprovou o plano para elevação do teto, que impediu um calote inédito do governo. Uma comissão formada por republicanos e democratas seguirá discutindo medidas que visem o corte dos gastos para o equilíbrio orçamentário do país.

Segundo Obama, “não há muito espaço para corte” em gastos sociais, como querem os republicanos. O presidente defendeu, ainda, a desoneração da folha de pagamento, “para colocar dinheiro no bolso (dos trabalhadores) e clientes nas lojas”.

Segundo o presidente, parte da crise é consequência de problemas “que não podem ser controlado”, como o terremoto no Japão, a subida dos preços do petróleo e a Primavera Árabe.

Turbulência

O rebaixamento da nota de crédito dos Estados Unidos de "AAA" para "AA+" pela agência Standard & Poors espalhou turbulência nos mercados internacionais nesta segunda-feira.

Em Londres, o pregão fechou com queda de 3,39%. Em Frankfurt, baixa de 5,02%. O índice Nikkei, do Japão, caiu 2,4%, enquanto a bolsa da Coreia do Sul teve queda de 5%, e Hong Kong, de 4%.

A decisão da S&P pode aumentar os custos de empréstimos por parte do governo dos Estados Unidos. Também pode trazer reflexo para os credores do país, em especial a China, que fez duras críticas aos americanos. A imprensa estatal chinesa chegou a sugerir a substituição do dólar por outra moeda de referência.

No final de semana, o G7, o grupo das sete maiores economias mundiais, anunciou que tomará todas as medidas necessárias para garantir estabilidade financeira diante da crise provocada pelas dívidas dos Estados Unidos e dos países da zona do euro.

Nesta segunda-feira, os países do G20, o bloco formado pelas principais economias mundiais e as mais importantes economias emergentes, se comprometeu a tomar ações para assegurar a estabilidade dos mercados e o crescimento econômico mundial.

Na Europa, o Banco Central europeu anunciou que irá comprar os títulos da dívida da Itália e da Espanha, na tentativa de deter o contágio da crise na zona do euro, que já levou ao resgate de Irlanda, Portugal e duas vezes da Grécia.

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