Papel de mídia social em distúrbios de Londres 'foi superestimado'

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Image caption Policial se prepara para confronto em Tottenham

A mídia social e os celulares fomentaram a onda de violência deste fim de semana em Londres?

Políticos, comentaristas na mídia e integrantes da força policial sugeriram que o Twitter e o BlackBerry Messenger, em particular, tiveram seu papel nos distúrbios.

Sem dúvida, muitos dos envolvidos decidiram narrar sua ação ao vivo - do meio dos tumultos - usando telefones celulares.

Alguns aparentemente foram tolos o bastante para publicar fotos de si próprios, posando orgulhosamente com produtos de saques.

Outros deram sugestões sobre que lugar seria bom atacar em seguida, o que levou o vice-comissário da polícia de Londres, Steve Kavanagh, a dizer que estava considerando prender usuários do Twitter que pareciam estar incitando a violência.

Mas alguns especialistas temem que a importância do papel da tecnologia no episódio tenha sido exagerada.

Em sua cobertura, o jornal Daily Mail citou um usuário do Twitter, AshleysAR, da seguinte forma:"Ashley AR' twitou: 'Ouvi que Tottenham está uma loucura agora. Vejam como eu vou me juntar".

No entanto, o texto completo de AshleysAR é "Ouvi que Tottenham está uma loucura agora. Vejam como eu vou me juntar com uma pistola d'água :|".

Subitamente, o tom da mensagem se torna muito menos sinistro.

'Barulho'

Apesar das denúncias do parlamentar David Lammy, de Tottenham, que disse que a revolta foi "planejada no Twitter", há pouca prova de uma orquestração nos textos publicados no site, que são públicos.

Olhando os textos da noite de sábado, um deles, de DanielNothing, promete substanciar de alguma forma a tese com seu comentário: "Indo para Tottenham para me juntar à revolta! Quem está comigo? #ANARQUIA".

Mas o texto é seguido rapidamente por um: "Espera aí, o último tweet deveria ser 'Aconchegando no sofá com um DVD Avengers e minha namorada, quem está comigo? Que bobão que eu sou!"

Outro usuário - Official Grinz - parece ter sido a primeira pessoa a twittar as palavras "Westfield riot", referindo-se ao famoso shopping center no oeste de Londres. No entanto, a mensagem parece irônica e não há nada para sugerir que ele fosse mais do que um observador, comentando os episódios à medida que eles apareciam na TV.

O assunto de uma revolta no shopping foi amplamente discutido, mas no fim não se materializou no mundo real.

Então por que a quantidade de textos que aparentemente incitavam a violência era tão pequena?

Freddie Benjamin, gerente de pesquisa da Mobile Youth, acredita que muito do "barulho" online é apenas isso, barulho.

"Quando alguém comçea a postar em um grupo de BlackBerry Messenger ou no Twitter, vários jovens começam a seguir aquele fluxo", disse ele. "Eles não necessariamente se juntarão à ação, mas podem falar sobre ela, ou usar a mesma hashtag, o que faz o movimento parecer muito maior".

Assunto privado

Longe dos posts visíveis do Twitter, há talvez relatos mais dignos de credibilidade de que sistemas de comunicação privado foram usados para encorajar a adesão à desordem.

Em seguida aos distúrbios em Tottenham, vários usuários de BlackBerry disseram ter recebido mensagens sugerindo quais deveriam ser os próximos alvo de ataques.

A empresa Research in Motion, que faz os celulares Blackberry, emitiram comunicado dizendo que trabalhão com as autoridades, na tentativa de identificar quem estava incitando à violência.

A empresa afirmou que, assim como outras de telecomunicação, cumpre com as leis que permitem às forças de segurança ter acesso a mensagens privadas, quando elas têm ligação com crimes.

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O que preocupa os investigadores agora é mais a quantidade de pessoas que receberam mensagens, mais do que com as mensagens enviadas.

Chris Greer, especialista em sociologia e criminologia da London City University, acredita que smartphones teriam ajudado os envolvidos, mas não teriam ajudado a persuadir quem estava relutante a se juntar aos distúrbios.

"Não acho que tenha tido qualquer impacto na motivação para protestar, em primeiro lugar", disse ele. "Mas uma vez que pessoas se mobilizam e decidem tomar as ruas fica certamente muito mais fácil se comunicar".