Apesar da calma em Londres, cidades britânicas registram distúrbios

Atualizado em  9 de agosto, 2011 - 21:37 (Brasília) 00:37 GMT
Violência em Manchester. Foto: AP

Na região de Salford, em Manchester, carros foram queimados (Foto: AP)

Embora Londres permaneça relativamente calma, com uma grande presença de policiais nas ruas, a onda de violência na Grã-Bretanha teve continuidade nesta terça-feira, pelo quarto dia consecutivo, em cidades como Manchester e Birmingham.

Em Manchester, no norte do país, centenas de jovens entraram em confronto com a polícia. A multidão jogou bombas incendiárias em lojas, enquanto algumas pessoas saquearam lojas, roubando roupas, equipamentos eletrônicos e bebidas.

A polícia da região de Manchester disse que 47 pessoas já foram detidas nesta terça-feira, e que mais detenções ainda podem ocorrer.

A violência em Manchester começou durante a tarde na região de Salford, quando a multidão atacou policiais e ateou fogo a lojas.

Um carro da BBC foi incendiado, assim como o veículo de um repórter. Um cinegrafista foi atacado.

Os distúrbios levaram as autoridades da cidade a suspender parte do transporte público.

Em Birmingham (centro do país), a segunda cidade mais populosa da Grã-Bretanha, jovens atacaram a polícia com garrafas e pedras e saquearam lojas.

No sudoeste da Inglaterra, houve registros de lojas depredadas e carros incendiados em West Bromwich. Em Wolverhampton, na mesma região, 20 pessoas foram presas.

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Na cidade de Nottingham, também no sudoeste, uma delegacia de polícia foi atacada com bombas incendiárias.

A situação na capital britânica é relativamente calma nesta terça-feira, com uma maciça presença de policiais nas ruas. Mesmo assim, depois dos distúrbios dos últimos dias, diversos bares e lojas fecharam as suas portas mais cedo na cidade.

A Polícia Metropolitana de Londres (também conhecida como Scotland Yard) colocou 16 mil policiais nas ruas, para ajudar a manter a ordem.

Imagens

Nesta terça-feira, a polícia de Londres liberou as primeiras imagens feitas por câmeras de segurança de suspeitos de atos de violência na cidade nos últimos dias, gravadas em locais que sofreram saques, nas regiões de Croydon e Norwood, ambas ao sul de Londres, na última madrugada.

A polícia disse que este é o primeiro lote de muitas imagens que devem ser liberadas em relação com as investigações para determinar os culpados.

Nesta terça-feira, 32 suspeitos compareceram a tribunais, acusados de participação nos distúrbios ocorridos nos últimos dias.

Entre os suspeitos estão um designer gráfico, estudantes e um alistado no Exército britânico. Alguns deles afirmaram morar fora de Londres. Pelo menos 18 deles devem permanecer presos.

Todos os suspeitos eram homens, a grande maioria com cerca de 20 anos, embora alguns fossem menores de idade. A maioria das acusações foi de furto e desordem. Muitos se declararam culpados.

O porta-voz policial Stephen Kavanagh disse que o uso de balas de borracha não está descartado. Nas últimas três noites, 11 policiais e cinco cães da polícia foram feridos nos tumultos.

Cameron

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, condenou os distúrbios, dizendo que os responsáveis pelos ataques "vão sentir a força da lei".

"Se vocês têm idade suficiente para cometer esses crimes, têm idade suficiente para enfrentar as punições", disse o premiê, que encurtou suas férias na Itália para voltar a Londres e participar, nesta terça, de uma reunião do comitê de planejamento de emergência do governo.

Depois de sofrer críticas por sua ausência, o prefeito de Londres, Boris Johnson, também resolveu suspender suas férias e voltar ao país devido aos confrontos.

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Origem dos tumultos

Os incidentes começaram após um protesto pela morte de Mark Duggan, 29 anos.

Duggan foi morto por policiais na quinta-feira, em Tottenham, depois de ser abordado em um táxi por uma unidade que investiga crimes com armas de fogo no bairro.

A morte levou a revoltas que explodiram no último sábado no bairro de Tottenham se espalharam para outras regiões da capital britânica na noite de domingo, que foi marcada por saques e violência em vários pontos de Londres.

A ouvidoria da polícia disse que até agora não há evidências de que Duggan tenha atirado contra os policiais antes de ser alvejado e morto.

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