Após sequestro em ônibus, PM do Rio diz que precisa 'diminuir erros'

Ônibus da viação Jurema, no Rio de Janeiro. AFP Direito de imagem AFP
Image caption Sequestro lembra caso do ônibus 174, que resultou na morte do assaltante e da refém, em 2000

Após o sequestro de ônibus que terminou com seis pessoas feridas no Rio de Janeiro na última terça-feira, o comandante-geral da Polícia Militar do Estado, Mário Sergio Duarte, qualificou a operação como bem-sucedida, mas reconheceu que é preciso aprimorar os procedimentos policiais para “diminuir erros”.

"Eu disse que a ocorrência foi muito bem sucedida por consequência do resultado final do resgate dos reféns e da prisão dos criminosos daquela forma. Mas lamentamos profundamente pelas pessoas que foram feridas e vamos continuar buscando melhorar os nossos protocolos para diminuir os erros das ações policiais", afirmou em coletiva de imprensa.

A polícia prendeu três dos quatro assaltantes que sequestraram um ônibus da viação Jurema nesta terça-feira, no principal acesso ao Centro do Rio, a Avenida Presidente Vargas.

Durante mais de uma hora, 20 passageiros foram mantidos reféns, depois que policiais tentaram conter uma tentativa de assalto, iniciada por volta das 20h. A operação terminou às 21h30, depois da rendição dos dois assaltantes que ainda estavam no ônibus.

Na manhã desta quarta-feira, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Eboli (ICCE) fizeram a perícia do veículo e já constataram que pelo menos 16 tiros atingiram o ônibus.

A análise inicial indicou que vários tiros foram dados de fora para dentro do veículo, na altura dos pneus. Para eles, isso indica a intenção de parar o ônibus.

O comandante Mário Sérgio Duarte afirmou que policiais quebraram o protocolo ao atirar contra um ônibus com reféns. Porém, a ação permitiu que o ônibus fosse interceptado pela polícia.

"Nós sabemos que não podemos atirar, salvo em legítima defesa. A rigor, aqueles tiros não deveriam ter acontecido. Os tiros poderiam ter saído mais alto do que o esperado. Mas foi isso que acabou promovendo a parada do ônibus".

Estado grave

Entre os seis feridos estão três passageiros, uma pessoa que estava em outro carro, um policial e um dos assaltantes. Uma mulher de 46 anos que foi baleada no tórax e sofreu fraturas na costela e na clavícula está internada em estado grave, no Hospital Souza Aguiar.

Em relato ao jornal Extra, uma das passageiras afirmou que os assaltantes embarcaram na altura da Central do Brasil, estação de trem na Avenida Presidente Vargas, e “sentaram como passageiros normais”.

Desconfiado de que assaltantes haviam entrado no ônibus, o motorista resolveu descer do veículo para falar com policiais no ponto seguinte, em frente à Universidade Estácio de Sá.

Um PM teria então entrado no ônibus e pedido para os passageiros colocarem as mãos no banco da frente, porque faria uma revista de rotina.

"Todo mundo obedeceu. Mas aí o assaltante que estava na primeira fileira rendeu ele (o PM), tirou o pino da granada e jogou (o pino) no policial. Ele gritava: 'Vou explodir! Vou explodir todo mundo!'", disse a passageira, uma secretária de 23 anos que saiu ilesa do sequestro.

Policiais atiraram contra os pneus do ônibus para impedir a fuga dos assaltantes com os reféns e cercaram o veículo na altura do Sambódromo. A via permaneceu fechada enquanto equipes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) tentavam negociar a rendição dos assaltantes.

Dois deles teriam conseguido fugir do ônibus logo no início do confronto, um deles tendo uma passageira como refém. Os dois que continuaram no veículo se renderam às 21h30, quando terminou a operação.

O episódio lembra o sequestro do ônibus 174, em 2000, que terminou com as mortes da professora Geisa Firmo Gonçalves, moradora da Rocinha, e do sequestrador, Sandro do Nascimento, sobrevivente da chacina da Candelária.

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