Na Argentina, Mantega defende mecanismos regionais para conter crise

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Image caption Mantega defendeu a redução das barreiras comerciais e financeiras entre os países da região

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu nesta sexta-feira em Buenos Aires a adoção de mecanismos regionais para conter possíveis efeitos da crise internacional na América Latina.

"Precisamos aumentar a integração e fortalecer, neste momento, as instituições que já estão criadas (para reduzir o impacto da crise)", disse Mantega.

Segundo ele, para continuar sendo um dos pólos de desenvolvimento do mundo, as barreiras comerciais e financeiras entre os países da região deverão ser reduzidas.

As declarações de Mantega foram feitas no intervalo de uma reunião de ministros da área econômica e representantes dos bancos centrais da Unasul, que terminou nesta sexta, na capital argentina.

"Ficou decidido que nós temos que nos preparar para os eventuais agravamentos da crise que possam nos afetar", afirmou o ministro.

"E nos preparar também para uma crise mais longa dos países avançados, aproveitando a situação que existe hoje na América Latina, que é uma situação melhor, onde todos os países crescem mais."

Sinergia

Mantega disse que o Mercosul foi o primeiro passo para integrar os países, mas defendeu uma "integração maior", que seria útil nos momentos de turbulência da economia mundial.

"Vejo uma grande disposição dos outros países - como o Chile, Colômbia e Peru - em se aproximar mais e criar essa sinergia entre nós, de modo que possamos enfrentar o momento atual e transformar isso num desafio para que nós nos firmemos como economia latino-americana forte", disse.

Segundo ele, foram discutidos mecanismos de defesa que podem ser "incrementados", caso necessário. "Por exemplo, o FLAR, que é uma instituição que já está criada, que já tem as suas regras. Mas temos que discutir as condições (para que o Brasil a integre)."

O FLAR é Fundo Latino-americano de Reservas, criado em 1978, e integrado, atualmente, pela Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela.

A instituição funciona como reserva conjunta que pode ser usada nos momentos de crise. O Brasil, informou o ministro, poderia entrar com US$ 500 milhões, em parcelas, neste fundo. Para isso, disse, o Executivo brasileiro deveria primeiro enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional.

Mantega também citou o mecanismo do Banco de Desenvolvimento da América Latina, criado em 1970, para financiar o setor regional de investimentos. "A região carece de financiamentos para isso. Não tanto o Brasil porque temos mecanismos próprios, mas os países cresceriam mais com financiamento."

'BID desvirtuado'

O ministro disse ainda que existem outros mecanismos em andamento, como o Banco do Sul, que ainda depende de aprovação dos congressos dos países da região. O ministro afirmou ainda que também foi discutido o papel do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para a América Latina.

"O BID deveria ser controlado pelos latino-americanos. Mas ele foi desvirtuado ao longo do tempo", disse Mantega.

O ministro afirmou que, embora a instituição tenha uma presidência latino-americana, ela é controlada mais pelos americanos e até outros países avançados do que pela América Latina.

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