Ataque sírio em cidade costeira mata pelo menos 28, dizem testemunhas

Imagem tida como sendo de Latakia. Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Tanques e navios de guerra teriam sido usados contra manifestantes em Latakia

Testemunhas afirmam que pelo menos 28 pessoas morreram neste domingo na cidade portuária de Latakia, na Síria. Segundo ativistas, manifestantes contrários ao presidente Bashar Al-Assad foram alvejados por navios militares e por tanques nas ruas da cidade.

Um morador de Latakia disse à BBC que observou, de cima de um telhado, a ofensiva do Exército em duas áreas residenciais da cidade, depois que elas foram alvejadas por tiros de metralhadora e por disparos dos tanques e dos navios de guerra.

A testemunha disse que atiradores de elite ficaram posicionados em prédios altos, e que o Exército sírio estava atirando em "qualquer coisa que se movesse".

Outra testemunha disse à agência Reuters, por telefone, que era possível ver “a silhueta de dois navios atirando contra três bairros”.

Vários moradores disseram que estão fugindo da cidade.

A TV estatal, no entanto, negou que Latakia estivesse sob cerco de navios militares.

Os relatos não podem ser confirmados de maneira independente, já que o governo sírio proíbe a entrada de jornalistas estrangeiros.

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Campo de refugiados

Latakia vem sendo palco de manifestações contrárias ao governo desde o início dos protestos populares no país, em março.

Além dos 28 mortos, dezenas de outras pessoas ficaram feridas na ofensiva militar neste domingo, segundo afirmam as testemunhas.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos no Oriente Próximo (UNRWA, sigla em inglês) afirma que diversas pessoas morreram em um campo de refugiados palestinos em Latakia, depois que o local foi metralhado.

Ativistas dizem ainda que, no sábado, outras nove pessoas haviam morrido em ofensivas do regime de Assad em diversas cidades do país, incluindo Latakia.

A ONU e entidades de defesa dos direitos humanos calculam que mais de 1,7 mil pessoas tenham sido mortas nos seis meses de protestos contra o governo sírio.

Assad atribui os protestos contra seu governo a “grupos terroristas armados”.

Pressão diplomática

Enquanto isso, cresce a pressão diplomática externa para que a Síria contenha a ofensiva contra os manifestantes.

A Organização da Cooperação Islâmica, entidade que reúne 57 Estados islâmicos, pediu que a Síria interrompa imediatamente o uso da força contra manifestantes civis.

Já o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, emitiu no sábado um comunicado em conjunto com o rei Abdullah, da Arábia Saudita, pedindo o fim da repressão aos cidadãos sírios.

Uma declaração divulgada pela Casa Branca afirma que os dois chefes de Estado expressaram "profunda preocupação" com a situação síria, durante uma conversa por telefone.

No entanto, até o momento a impressão é de que o cerco aos manifestantes tem crescido, já que há relatos de presença de tropas pró-Assad em diversas cidades, como Hama, Homs, Damasco, Deir al-Zour, Aleppo e Idlib, além de Latakia.

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